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SÃO PAULO – O nível de endividamento do paulistano verificado em fevereiro é o menor para o mês desde 2004, ano em que foi iniciada a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor). Segundo dados da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), a proporção de consumidores que disseram ter contas para pagar foi de 48%.
“Com certeza, esse foi um resultado atípico. É estranho, porque entre janeiro e fevereiro o nível acaba subindo, por causa das contas de início de ano e os vencimentos do Natal. Mas, neste ano, houve queda”, lembrou a diretora da Assessoria Econômica da entidade, Fernanda Della Rosa. Em janeiro, a proporção havia sido de 53%, mostrando redução de cinco pontos percentuais no intervalo de um mês.
Oportunidade
“O endividamento está relacionado à oportunidade que o consumidor tem de obter crédito. Embora os juros sejam altos, ele sempre prefere, para que a parcela se encaixe melhor na renda e não comprometa o orçamento”, lembrou Fernanda.
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Por outro lado, o resultado sinaliza que os compradores estão mais conscientes sobre as próprias finanças. Conforme a executiva, em 2004, o índice atingiu seu pico, ao registrar 70% em dezembro. Em novembro de 2006, o resultado se repetiu.
“Houve um descontrole da demanda contida”, explicou, adicionando que os consumidores que antes necessitavam de alavancagem para o consumo aproveitaram a oportunidade.
Normalização
Agora, a situação parece ter sido normalizada. A liberação de crédito continua crescendo, mas de forma mais racional. De acordo com a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em documento de análise sobre dados do Banco Central, em dezembro último, foram liberados R$ 316,8 bilhões a pessoas físicas, o que representa aumento de 1,2% sobre os R$ 313 bilhões de novembro e de 33,1% sobre os R$ 237,9 bilhões do último mês de 2006.
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“A impressão é que as pessoas conseguem quitar suas dívidas. Não que esteja sobrando dinheiro, mas houve um certo freio nisso, após o susto das contas de Natal”, adicionou. A inadimplência também apresentou recuo, de 32% para 31%. “Houve um pequeno crescimento da renda, além do aumento da ocupação”, justificou Fernanda.
Páscoa
O fato de o feriado de Páscoa ser comemorado em 23 de março deste ano, cerca de 15 dias antes do costume, preocupa redes de comércios e a própria Apas (Associação Paulista de Supermercados): com os consumidores ainda “apertados” pelas compras de fim de ano, pode existir uma dificuldade maior para as vendas.
Mas, segundo Fernanda, o resultado da Peic mostra que ainda existe muito espaço para a aquisição de ovos e outros alimentos típicos.
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“Ovo é um bem não-durável, mas, mesmo assim, é possível comprar de forma parcelada no cartão, por exemplo. Se estivéssemos em um patamar de endividamento mais elevado, a situação seria bem pior. Mas do que jeito que está, não”, adicionou, lembrando que o negócio só vale a pena se os produtos forem comprados em grande quantidade.