Empréstimos: juros de consignados podem ser limitados a 0,5% a.m

Projeto de Lei limita percentual porque seria total a garantia de recebimento por parte de bancos e financeiras

Publicidade

SÃO PAULO – Os juros cobrados de empréstimo com desconto em folha de pagamento (consignado) podem ser limitados a 0,5% ao mês. Pelo menos é o que dispõe o Projeto de Lei 7304/06, da deputada Clair (PT-PR), em análise conclusiva na Câmara dos Deputados.

O texto, que altera a Lei 10820/03, também determina que a soma dos descontos dessa modalidade de empréstimo não poderá exceder a 15% da folha quando a remuneração do tomador for inferior a três salários mínimos, ou R$ 1.050.

Para Clair, esses empréstimos, exclusivos para trabalhadores regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), é uma alternativa para o endividamento decorrente da utilização do cheque especial e dos cartões de crédito.

Garantias

A autora justifica a limitação dos juros porque no empréstimo consignado a garantia dos bancos e financeiras é total, já que as parcelas são descontadas diretamente do salário. “Era isso o que se esperava. Assim o empréstimo consignado foi anunciado. Porém, não é isso o que se tem observado”, afirma Clair.

Ela informa que as atuais taxas do consignado estão próximas à do empréstimo pessoal, beirando, em alguns casos, os 5% ao mês. “Esse índice corresponde à inflação anual no Brasil”, lembra a deputada.

INSS limita taxas para aposentados

Exatamente em razão disso, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) limitou em 2,9% a taxa de juros nos empréstimos consignados aos aposentados, mas os trabalhadores da ativa continuam sujeitos aos juros abusivos.

Continua depois da publicidade

Em pesquisa recente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, cerca de 60% dos entrevistados admitiram que possuem algum tipo de dívida e, desse total, 38% estão com as contas em atraso.