Empresa de pagamentos já reteve R$ 17 milhões da Hurb, diz coluna

Os recursos retidos atendem consumidores que contestaram pagamentos ou que obtiveram ordens judiciais contra a Hurb, cujas contas estão zeradas

Maria Luiza Dourado

João Ricardo Mendes,  ex-CEO da Hurb (Divulgação)
João Ricardo Mendes, ex-CEO da Hurb (Divulgação)

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A empresa global de pagamentos Adyen já reteve quase R$ 17 milhões da agência de viagens on-line Hurb para ressarcir clientes lesados, impedidos de viajar. As informações são da coluna Capital, do jornal O Globo.

Segundo a coluna, os recursos retidos estão sendo utilizados para atender a consumidores que contestaram pagamentos (chargeback) ou que obtiveram ordens judiciais contra a Hurb, e os repasses feitos estão relacionados a mais de mil processos judiciais, além de 500 ações que ainda aguardam pagamento.

A empresa, na qualidade de instituição de pagamento, esclareceu que, em conformidade com a regulamentação do setor e o contrato firmado com a Hurb, retém os fundos visando cobrir riscos financeiros decorrentes da não entrega de produtos e serviços pela agência.

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A retenção gerou descontentamento entre os executivos da Hurb, especialmente o cofundador e CEO, João Ricardo Mendes, que expressou sua indignação ao mobilizar clientes lesados para pressionar a Adyen. O executivo encorajou clientes a enviarem e-mails em massa para os funcionários da Adyen, alegando que o bloqueio estava prejudicando suas viagens, e inclusive divulgou os endereços de email de diretores da empresa de pagamentos

Mendes alega que a intermediadora bloqueou quase R$ 17 milhões da Hurb.

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A coluna explica que as decisões judiciais que exigiram o bloqueio por parte da Adyen de pagamentos da agência da agência de viagens surgiram após a constatação de que suas contas bancárias estavam esvaziadas.

Embora a Adyen tenha inicialmente contestado essas decisões perante a Justiça, alegando não ter qualquer controle sobre a qualidade dos serviços prestados pela Hurb, uma vez que apenas processava pagamentos, os tribunais mantiveram as ordens de bloqueio.

A Adyen ainda que, uma vez esgotados os fundos retidos, a obrigação de arcar com valores de pagamentos contestados cessa, conforme as diretrizes do Banco Central.

A crise da Hurb

A Hurb comercializava pacotes de viagens promocionais com datas flexíveis, a um custo inferior à média do mercado. Nesse formato, a agência de viagens vendia o produto antes de garantir a entrega: após fechar o acordo com o cliente, a Hurb procurava acomodações e transporte aéreo para o destino – por isso, as datas precisavam ser flexíveis. No entanto, o modelo se revelou insustentável e, em 2023, a empresa optou por cancelar ou adiar indefinidamente os pacotes já adquiridos pelos consumidores. A situação evoluiu para uma crise generalizada na companhia.

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Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.