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SÃO PAULO – De agosto a novembro deste ano, os valores das tarifas bancárias aumentaram em 21,65%, de acordo com levantamento realizado em 12 instituições financeiras pelo consultor Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação de Executivos de Finanças).
A pesquisa mostra que, se analisadas as 21 principais tarifas bancárias, 16 delas sofreram reajuste no período, três mantiveram os preços e somente duas registraram queda. Dentre as que aumentaram de preço, o reajuste positivo foi superior à inflação no período, de 0,95%, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
“Os bancos possuem muita autonomia na mudança dos valores das tarifas e os consumidores acabam por apenas transferir a renda para as instituições bancárias ao invés de pagar por serviços”, disse o consultor.
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Serviços
Os dados mostram que existe variação de 105.649,14% no preço das tarifas, quando considerados os valores médios praticados em todo o sistema financeiro. Os preços partem de R$ 1,75 na cobrança de cheque na compensação e chegam a R$ 1.850,61 na rescisão contratual – quitação antecipada.
Segundo o consultor financeiro, entre os valores máximos cobrados, os serviços variam de R$ 3 (depósito em outra agência) a R$ 10 mil (TAC e rescisão contratual). Neste caso, a diferença é de 333.233,33%, de acordo com a tabela abaixo:
| Serviço | Valor Máximo | Valor Médio |
| Conf. da ficha cadastral | R$ 1.200 | R$ 104,41 |
| Consulta ao serv. de proteção ao crédito | R$ 300 | R$ 27,35 |
| Talão de cheques – 10 folhas | R$ 12 | R$ 5,25 |
| Talão de cheques – 20 folhas | R$ 25 | R$ 9,67 |
| Cheque sem fundo devolvido | R$ 35 | R$ 13,16 |
| Oposição/sustação de pag. de cheques | R$ 30 | R$ 10,07 |
| Inclusão no cadastro de cheque sem fundo | R$ 100 | R$ 21,13 |
| Exclusão no cadastro de cheque sem fundo | R$ 100 | R$ 23,60 |
| Cobrança de cheque na compensação | R$ 10 | R$ 1,75 |
| Cheque TB (transf. bancária sem CPMF) | R$ 25 | R$ 3,53 |
| Abertura de conta | R$ 50 | R$ 14,95 |
| Manutenção de conta ativa | R$ 500 | – |
| Adiamento a depositante, excesso de cheque especial | R$ 50 | R$ 20,78 |
| Saque em caixa externa/24h | R$ 14,90 | R$ 4,43 |
| Emissão de DOc | R$ 50 | R$ 13,78 |
| Depósito em outra agência | R$ 3 | R$ 2 |
| TED – Transferência Eletrônica Disponível | R$ 51,37 | R$ 14,22 |
| Extrato de conta em terminal eletrônico | R$ 10 | R$ 2,42 |
| Abertura de Crédito | R$ 10.000 | R$ 663,31 |
| Renegociação de dívida | R$ 5.000 | R$ 349,67 |
| Rescisão contratual – quitação antecipada | R$ 10.000 | R$ 1.850,61 |
Medidas
De acordo com o consultor, o aumento substancial das tarifas aconteceu justamente no momento em que o BC (Banco Central), o ministro Guido Mantega (Fazenda) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), discutem critérios, padronização e limites para a cobrança de tarifas. Para ele, existem algumas medidas que o governo pode tomar para diminuir este peso no bolso do consumidor.
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A primeira delas seria exigir padronização das tarifas, principalmente na nomenclatura, porque o consumidor se confunde. Depois, definir quais realmente poderão ser cobradas. Ainda se deveria determinar critérios de reajustes e exigir do BC acompanhamento da cobrança.
Outra medida importante seria exigir explicações dos bancos para os reajustes. “Assim, os consumidores não ficarão a mercê das instituições”.