Educação dos jovens é a melhor forma de evitar acidentes, diz especialista

Para Eduardo Biavati, a educação atual, com teatros de fantoches e mímicas, é infantil demais e precisa ser modificada

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SÃO PAULO – A educação dos jovens para o trânsito deve ser fortalecida para gerar mudanças culturais capazes de reduzir o número de acidentes, que causam a morte de cerca de 35 mil pessoas por ano. O alerta é do especialista em segurança no trânsito e mestre em sociologia, Eduardo Biavati, que também acredita ser necessário aparelhar a fiscalização para garantir a punição.

“O trabalho de educação, especialmente com jovens, tem que ser reforçado para recriar um novo fundamento de obediência à regra. A gente obedece a regra não só para não se dar mal, por que a polícia está ali, mas também porque quer se preservar”, afirma.

Segundo a Agência Brasil, Biavati também acredita que é preciso recriar o padrão cultural de desrespeito às regras de trânsito, não só por meio da fiscalização, mas também reeducando os jovens sobre o que está por detrás delas, como os riscos de lesões cerebrais e medulares.

Educação precisa ser alterada

O especialista afirma que a educação para o trânsito atual está equivocada e precisa ter seu foco alterado. “O problema antigo e atual da educação de trânsito é que ela é uma educação de criancinha. A gente vê as prefeituras e Detrans muito concentrados em teatros de fantoches, mimicidades para treinar crianças desde cedo, com 4 ou 5 anos, e quando se chega aos 12, 13 anos, na boca da adolescência, quando a coisa começa a pegar fogo, não há escolas que façam um trabalho. O assunto some, evapora”, considera.

Para Biavati, conversar com o jovem é difícil, principalmente pelo fato de estarmos em uma sociedade cada vez mais individualista. “Hoje o individualismo é tão exagerado que nem adianta falar para eles dos milhões de reais gastos pelo país com acidentes. As categorias coletivas acabaram: cidadania, pátria, isso não faz o menor sentido para eles. Temos que reiventar essa conversa com a garotada”, afirma.

Fiscalização

Além de mudar a educação, o especialista também considera ser necessário um aumento nos investimentos para melhorar a fiscalização das infrações. Para ele, só assim a ampliação do rigor na legislação de trânsito, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, poderá reduzir o número de acidentes.

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“Nós estamos caminhando para um padrão dos mais rigorosos, como os de países europeus, de não aceitação do consumo de álcool na direção, mas a busca do rigor da lei só tem sentido se encontrarmos uma forma concreta de fiscalizar, porque se a sanção da regra não é aplicada, ela vira só um enunciado legal à espera de concretização”, afirma.

No caso da repressão do consumo de álcool, que necessita do bafômetro, Biavati destaca o fato de que muitos estados e municípios não possuem o equipamento. Como exemplo, ele citou a cidade de São Paulo, com 10 milhões de habitantes e com 40 bafômetros. “A União precisa intervir, disponibilizando os recursos. Nenhum município sozinho vai ter dinheiro para isso, porque isso não é prioridade e também porque não tem mesmo recursos”, informa.

O especialista também considera que a fragilidade da fiscalização existe desde a aprovação do Código de Trânsito Brasileiro há dez anos, o qual, apesar de ser rigoroso, não conseguiu impedir o aumento no número de acidentes. “Faltou um estrutura real de fiscalização para botar para valer o que foi escrito”, afirmou.