Publicidade
SÃO PAULO – Pensando em converter seu carro a gasolina ou álcool para o sistema do Gás Natural Veicular (GNV)? Cuidado na hora de escolher a oficina: segundo a Associação Brasileira de Gás Natural Veicular (ABGNV), um local que ofereça o serviço por menos de R$ 3 mil deve ser analisado com muita atenção. Principalmente por conta do índice de fraude na utilização de peças para fazer o serviço, que está na casa de 70%.
A última publicação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostra que o preço médio do litro de gasolina no Brasil está em R$ 2,512, ao passo que, o metro cúbico do GNV custa R$ 1,254. De acordo com o Centro de Tecnologia do Gás (CTGás), a economia para o proprietário do veículo convertido fica entre 30% e 40% a cada abastecimento.
A fraude
Com essa diferença de valores, não é muito incomum que o motorista decida converter seu veículo para economizar mais na hora de abastecer e, de quebra, diminuir a emissão de poluentes na atmosfera. Conforme o Instituto Brasileiro de Petróleo, quase 1,3 milhão de carros já possuem a tecnologia.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Antes de qualquer coisa, vale a pergunta: o que pode ser considerado fraude nesse serviço? Conforme o diretor superintendente da ABGNV, Antonio José Teixeira Mendes, a fraude corresponde à utilização de equipamentos que não sejam certificados por órgãos ambientais.
Esses kits não apresentam os requisitos necessários para serem considerados adequados ao uso – o que prejudica tanto o meio ambiente, com emissão superior de poluentes, quanto o próprio desempenho e mecanismo do veículo. Os sintomas de que o serviço não foi feito na oficina correta são:
- o carro demora para funcionar pela manhã;
- o veículo “morre” constantemente;
- você gasta mais combustível que o normal.
Prejuízos
Agora, a parte que mais interessa a quem sofre com esse tipo de situação: os prejuízos com o veículo. Conforme Mendes, o equipamento de conversão que não siga as normas estabelecidas, além de queimar mais combustível, acaba deteriorando o sistema eletrônico. E o custo do conserto desse problema varia de acordo com o modelo do veículo.
Continua depois da publicidade
Supondo que seja um carro de mil cilindradas: para se trocar a Unidade Central Eletrônica, serão gastos R$ 6 mil. Se o carro for automático, o prejuízo é ainda maior: em menos de um ano é necessária a troca de embreagens e comando de válvulas do câmbio. Esse serviço custa entre R$ 3,5 e R$ 5 mil, dependendo do modelo.
Por fim, outro problema resultante do uso de equipamentos de GNV inadequados faz com que seja necessário a troca de velas e cabo de velas. Esse problema é mais constante, afirmou o superintendente da ABGNV, e sai por R$ 350.
“Ainda não estamos levando em consideração outros gastos, como o de guincho, táxi”, explicou.
Continua depois da publicidade
Ilegalidade
Outro detalhe muito importante é que, caso o carro irregular seja parado em uma fiscalização, o motorista pode ser acusado por crime ambiental.
“A pessoa corre o risco de ter seu veículo recluso, terá de pagar multa e pode, inclusive, ser presa”, afirmou. “A fraude prejudica muito o consumidor, e faz com que pareça que a conversão não é vantagem. Em vez de conseguir economia, ele passaria a ter uma despesa maior, com certeza”, completou.
Fiscalização
Apesar do índice de fraude, de acordo com o Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP), as oficinas de São Paulo são fiscalizadas periodicamente. Ao todo, são registradas 450 empresas, das quais, 250 estão habilitadas a fazer a conversão.
Continua depois da publicidade
“Nossas estimativas apontam que cerca de 50 estejam irregulares”, afirmou Jair Camporezze, chefe do núcleo de produtos perigosos do Ipem-SP. “Quem prestar o serviço irregularmente é autuado, precisa pagar uma multa que vai de R$ 1 mil a R$ 3 mil em primeira instância – e dobra em caso de reincidência – além de ter o material apreendido”, adicionou.
Formas de evitar
Melhor do que remediar uma conversão mal feita é preveni-la. De acordo com Mendes, se uma oficina cobrar menos de R$ 3 mil para fazer a conversão, o consumidor já deve ficar atento. “Claro que não podemos ser extremistas, se for cobrado R$ 2.800, por exemplo, tudo bem. Mas muito mais barato que isso já é arriscado, por causa do preço do kit”, justificou.
Fora isso, é bom sempre antes de qualquer coisa procurar alguém que já tenha feito o serviço, analisar o funcionamento e pedir uma indicação. “Outra dica é pedir os manuais dos equipamentos instalados e as embalagens. É uma forma do local provar que o material é certificado. E o consumidor fica protegido, com uma prova”, explicou.
Continua depois da publicidade
Camporezze, por sua vez, orienta que os consumidores primeiro verifiquem se a oficina escolhida possui o selo do Inmetro. Além disso, no site do órgão existe uma lista com o nome e endereço de todas as empresas legalizadas, que qualquer internauta pode conferir.
Por fim, é importante pedir o certificado dos componentes do kit. “E quem já tem o veículo movido a GNV deve abastecer em postos que ofereçam uma pressão de 220 BAR (unidade específica), que é o nível de segurança estabelecido pela ANP”, finalizou.