Pé no acelerador

Dodge quer deixar imagem de carro de família e conquistar quem gosta de pisar fundo

O novo carro da montadora está entre os mais desejados pelos amantes de velocidade; a máquina chega a 328 quilômetros por hora.

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SÃO PAULO – O Dodge Charger SRT Hellcat é o sonho de quem gosta de velocidade: com 707 cavalos sob o capô, chega a 328 quilômetros por hora e devora a distância de 400 metros em 11 segundos.

A Chrysler anuncia o Hellcat como o sedã de produção mais rápida na Terra e não se trata simplesmente de ter direito a vangloriar-se. A Dodge, ridicularizada não faz muito tempo por vender em grande parte caminhonetes familiares sem graça, está reinicializando a si mesma como uma marca de muscle car que gera apelo entre jovens de 20 e 30 anos.

Essa é uma aposta audaciosa, porque se os preços da gasolina subirem novamente, uma série de Challengers e Chargers pode acabar em lotes de carros usados. E apesar da herança de um século da Dodge como carro de desempenho, a marca é vista há muito tempo como a Chrysler para pobres. Ninguém é mais consciente dos desafios do que Sergio Marchionne, CEO da Fiat Chrysler Automobiles, que em uma entrevista chamou a Dodge de “o segredo mais bem mantido na casa”.

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“Há muito trabalho a ser feito”, disse ele. “Mas há um lugar único na mente americana para a Dodge. E nós precisamos satisfazer essa necessidade”.

Quando a Fiat assumiu o controle da Chrysler, em 2009, não havia muito que admirar na Dodge, exceto suas robustas e confiáveis caminhonetes Ram. Marchionne transformou a Ram em uma marca separada própria. Isso deixou uma linha desconexa que incluía o Avenger, um sedã da família Chrysler 200 com logotipo trocado, e a Grand Caravan, uma versão mais popular da minivan Town Country da Chrysler. Os Dodges eram precificados, muitas vezes, para serem vendidos a empresas de aluguel de carros e a motoristas com pouco crédito.

“A Dodge era como o irmão mais novo e barato da Chrysler”, disse David Kelleher, um vendedor da Dodge Chrysler em Glen Mills, Pensilvânia, EUA. “Eles produziram carros-fantasmas em todos os níveis. Era sempre para pessoas da classe trabalhadora e a Chrysler, para os mais ricos. Foi assim que eles marginalizaram a marca”.

Antes de imbuir a Dodge com uma vibração de muscle car, Marchionne precisava repensar o Charger e o Challenger, carros originalmente criados nos anos 1960 para concorrer com o Chevrolet Camaro, da General Motors, e com o Mustang, da Ford Motor. Neste ano, surgiram versões redesenhadas com mais potência, tecnologia de cockpit e estilo que ainda lembram os carros originais. Até mesmo o SUV Durango ganhou uma melhora no desempenho, com uma transmissão de oito velocidades e mais cavalos de potência do que qualquer outro SUV médio.

O Charger Hellcat é o clássico modelo principal de uma marca. A um preço de US$ 64.000 e algo (contra cerca de US$ 28.000 do modelo básico), não se espera uma venda em grandes quantidades. Em vez disso, este carro é um triturador de pneus aspiracional pensado para sinalizar a nova imagem da Dodge. Os designers também tiveram senso de humor. O carro vem com duas chaves: a vermelha dá acesso à capacidade total do motor; a preta limita a produção a 500 cavalos – versão reduzida para filhos adolescentes ou manobristas de estacionamentos.

O muscle car moderno não consome tanto quanto há meio século. O V-8 Mustang GT Fastback faz 10,6 quilômetros por litro na estrada, enquanto o Camaro V-8 faz 8. Até mesmo o Charger Hellcat alcança respeitáveis 9,3 quilômetros por litro.

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A empresa diz que a Dodge venderá 600.000 veículos até 2018. Esse é apenas um ligeiro aumento em relação ao ano passado, mas Marchionne terá que chegar lá sem o Avenger e a Grand Caravan, que geraram quase 37 por cento das vendas da Dodge em 2013.

Isso exigirá um trabalho de aquecimento da marca. Para isso, a Fiat Chrysler ressuscitou John e Horace Dodge, que criaram, em 1914, a empresa que ostenta seu nome. Uma campanha publicitária impressa e televisiva descreve os irmãos como amantes da diversão e da velocidade, que se sentiriam em casa em um Hellcat.

“A história dos irmãos Dodge dá vida à marca”, disse Tim Kuniskis, diretor da marca Dodge. “Ela transforma a marca em algo real. É parte da história dos EUA. Não são apenas cinco letras”.