Diretor espanhol ironiza e diz que brasileiros votariam até em “um sapato” no Oscar

Concorrente com “Sirāt” a melhor filme internacional, Oliver Laxe criticou suposto “ultranacionalismo” de membros brasileiros da Academia

Victória Anhesini

Oliver Laxe comparece à 31ª edição anual do Critics Choice Awards em Santa Monica, Califórnia, EUA, em 4 de janeiro de 2026. REUTERS/Mike Blake TPX IMAGES OF THE DAY
Oliver Laxe comparece à 31ª edição anual do Critics Choice Awards em Santa Monica, Califórnia, EUA, em 4 de janeiro de 2026. REUTERS/Mike Blake TPX IMAGES OF THE DAY

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A lista de indicados ao Oscar 2026, divulgada nesta quinta-feira (22), deu início à disputa que antecede a cerimônia marcada para 15 de março, em Los Angeles. Entre as reações à divulgação, o diretor espanhol Oliver Laxe chamou atenção por seus comentários sobre os indicados a melhor filme internacional.

Laxe, que concorre com “Sirāt” na categoria, ironizou a presença do filme brasileiro “O Agente Secreto”. Ele afirmou que, apesar de haver muitos brasileiros na Academia, eles seriam ultranacionalistas. “Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”, disse, em entrevista ao apresentador David Broncano.

Oliver estava ao vivo no talk show La Revuelta, da emissora espanhola TVE, quando os indicados foram anunciados. Durante a transmissão, o diretor adotou um tom desapegado em relação à competição, afirmando que “ganhar prêmios é apenas um bônus” e que o verdadeiro prazer está em “fazer filmes”.

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Após o programa, Oliver Laxe virou alvo de críticas nas redes sociais. Usuários do X (antigo Twitter) o acusaram de desdém e falta de esportividade diante da indicação do filme brasileiro. “Papo de mau perdedor. Aposto que o número de espanhóis é bem maior. Ele sabe que vai perder e já mandou essa”, escreveu um internauta.

Atualmente, cerca de 70 pessoas representam o Brasil na Academia. Entre elas estão Sonia Braga, Rodrigo Santoro, Alice Braga, Maeve Jinkings, Wagner Moura e Selton Mello, além de diretores como Walter Salles, Cacá Diegues, Fernando Meirelles, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho, entre outros.

Só no ano passado, outros dez profissionais brasileiros do setor cinematográfico foram convidados a integrar a instituição. Fernanda Torres, Murilo Hauser e Daniel Filho estão nessa lista.

A Academia reúne 10,9 mil membros, dos quais 9,9 mil têm direito a voto nas categorias do Oscar. Uma pessoa só consegue se filiar por indicação, precisando ser recomendada por ao menos dois integrantes da mesma área profissional; os nomes passam, então, pela análise de um comitê interno.

No caso de indicados ao Oscar, eles são automaticamente considerados potenciais membros e podem ser convidados sem a necessidade de apadrinhamento.

O filme brasileiro “O Agente Secreto” fez história ao conquistar quatro indicações: melhor filme, melhor filme internacional, melhor direção de elenco e melhor ator, com Wagner Moura. É apenas a segunda vez que uma produção brasileira atinge esse número de nomeações, feito que não se repetia desde “Cidade de Deus” (2004), de Fernando Meirelles.

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