Dieese: crise deve reduzir preços internacionais e conter inflação interna

Por outro lado, a valorização do dólar pode pressionar os preços, mas de maneira leve e no médio prazo, revelam dados

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SÃO PAULO – De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a crise financeira norte-americana deve fazer com que os preços das commodities se mantenham em queda nos próximos meses. Como consequência disso, a inflação interna deve sofrer menos pressão.

Entre outubro de 2007 e setembro deste ano, a inflação medida pelo ICV (Índice de Custo de Vida) do Dieese foi de 6,79%, com forte influência dos preços internacionais.

“Assim como os preços das commodities elevaram a inflação, agora, com a queda dos preços, ela vai diminuir”, afirmou Cornélia Nogueira Porto, coordenador do índice medido pelo Dieese, que foi divulgado nesta quarta-feira (8).

A influência do câmbio

Se as commodities vão aliviar a pressão na inflação, o real desvalorizado pode ter efeito contrário. “Ele pode influenciar, mas não muito”, afirmou Cornélia.

Esta influência dependerá da magnitude e duração da desvalorização do real frente ao dólar que, aparentemente, teria efeitos mais imediatos nos preços ao produtor e cujos repasses aos consumidores são mais diluídos e demandam maior prazo para se manifestar.

Para analisar o efeito do câmbio no índice de custo de vida, estes foram agregados em três grupos. O primeiro deles é de baixa influência cambial (sem insumos importados e que não são exportados). Eles tiveram inflação de 7,14% entre outubro de 2007 e setembro deste ano.

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O segundo grupo é de média influência, dividido entre aqueles com influência direta (viáveis para exportação) e indireta (usam muitos insumos importados). No período analisado, o primeiro teve uma taxa de 18,49% e o segundo, de 4,28%.

O último grupo analisado pelo Dieese foi o de alta influência do câmbio, dividido entre direto (diretamente importados e exportados) e indiretos (combustíveis e botijão de gás). No primeiro caso, houve queda da taxa, de 0,80%, enquanto que no segundo caso houve alta de 0,48%.