Decisão do Copom não deve afetar intenção de compra consumidor

Qualquer decisão terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito, o que não deve mudar comportamento do consumidor

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) define, esta noite, a nova taxa básica de juro – a Selic – que vigorará no período de 11 de setembro a 29 de outubro.

As sinalizações do próprio Banco Central são de uma nova elevação, o que vem ocorrendo desde abril deste ano, principalmente por conta da inflação, na tentativa de conter o consumo.

No entanto, de acordo com análise do vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, qualquer que seja o percentual definido, não será suficiente para reduzir a intenção de compra dos consumidores, já que qualquer decisão terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito.

Efeito no bolso

De acordo com Oliveira, existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que, na média da pessoa física, atingem 134,22% ao ano, provocando uma variação de quase 1.000% entre as duas pontas. Em algumas instituições financeiras, em linhas de empréstimo pessoal, estas taxas chegam a atingir mais de 1.500% ao ano.

Confira, abaixo, algumas simulações de crédito, para demonstrar o efeito da elevação da Selic para as pessoas físicas. As simulações foram feitas com base em três cenários: elevação de 0,25 ponto percentual, 0,50 ponto percentual ou de 0,75 ponto percentual.

Selic Juro da operação Parcelas Total do bem
13% 6,13% R$ 180,19 R$ 2.162,28
13,25% 6,15% R$ 180,39 R$ 2.164,68
13,50% 6,17% R$ 180,59 R$ 2.167,08
13,75% 6,19% R$ 180,78 R$ 2.169,36
Selic Juro da operação Valor
13% 7,77% R$ 51,80
13,25% 7,79% R$ 51,93
13,50% 7,81% R$ 52,07
13,75% 7,83% R$ 52,20

“Em nossa opinião, tendo em vista as reduções dos índices de inflação, o Banco Central não deverá repetir a elevação da última reunião, devendo optar, então, por uma elevação menor, de 0,50 ponto percentual, definindo a nova Taxa Básica em 13,50% ao ano”, disse Oliveira. A maioria do analistas do mercado, no entanto, apostam numa nova alta de 0,75 ponto percentual.

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Racionalidade econômica

De acordo com a Anefac, o aumento da taxa não mudará o comportamento do consumidor com relação às compras, pois, normalmente, eles só olham se vão estar empregados e se a prestação de novos financiamentos cabe no seu bolso.

Olhar apenas para a parcela é o que especialistas chamam de falta de “racionalidade econômica”. O alongamento dos prazos, mesmo com taxas mais altas, faz com que as parcelas fiquem menores e mais acessíveis, o que incentiva o consumo.

No entanto, avaliar um financiamento somente analisando se a parcela cabe no orçamento pode acabar com seu planejamento financeiro. Taxa de juro, encargos, prazos, valor inicial e valor final devem ser levados em consideração, para que não gaste muito mais do que devia.