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SÃO PAULO – A crise externa pode contribuir com a política do governo de desacelerar o crescimento do crédito no País. As instituições financeiras que anteriormente captavam recursos no exterior a um custo mais baixo, com o agravamento da crise, têm de conseguir os recursos no mercado interno.
De acordo com o economista da Tendências Consultoria, Bruno Rocha, a disputa pelos recursos internos, mais escassos, por conta do aumento da demanda, encarece o custo do crédito, que pode ser repassado ao tomador na hora de financiar um veículo, por exemplo.
“A crise é uma amplificação do processo do Banco Central, que já vem passando por um encarecimento desde o início do aperto monetário, com a seqüência de aumentos na taxa básica de juro”, disse o economista.
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Aversão ao risco
Além disso, de acordo com o economista, com menos recursos disponíveis, a custos maiores, a tendência é de maior aversão ao risco por parte das instituições financeiras, que se tornarão mais seletivas para evitar a inadimplência.
“A conseqüência disso é que os bancos se tornarão mais prudentes e conservadores na concessão de crédito, mais seletivos na hora de aprovar um financiamento”, explicou Rocha.
Expectativa
De acordo com Bruno Rocha, especialistas já vinham trabalhando com uma desaceleração do crescimento do crédito para este ano e para o ano que vem.
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Segundo o Banco Central, em termos reais, o avanço do crédito para a pessoa física de 2006 para 2007 foi de 27,8% e, em julho deste ano – último dado disponível no BC -, o crescimento, frente ao mesmo período do ano passado, também em termos reais, estava em 22,8%.
Segundo Rocha, as estimativas apontavam, para o final de 2008, um crescimento de 21% e, para o final de 2009, de 17%.
“No entanto, isso foi antes da crise, com base apenas no processo de aperto monetário do Governo. Como estamos no meio do furacão, não temos estimativas novas, mas é possível sinalizar que a desaceleração seja ainda maior”, concluiu Rocha.