Crise em Brasília: Preciso correr para comprar dólares para uma viagem?

As manifestações contrárias ao Temer, as articulações sobre possíveis nomes para substituí-lo e a incerteza sobre as próximas delações deixam o câmbio à mercê de novos choques

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 SÃO PAULO – Um dia após o vazamento da conversa entre o presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, em 18 de maio, os mercados financeiros enfrentaram o caos, com direito a “circuit breaker” no Ibovespa e disparada de 8,63% no dólar comercial, que saltou de R$ 3,13 para R$ 3,40 em 24 horas – na maior alta em 14 anos.

 No dia seguinte, a moeda norte-americana devolveu metade das perdas e o mercado de câmbio segue em um ambiente de maior normalidade nos últimos pregões. No entanto, as constantes manifestações contrárias ao presidente, as articulações partidárias sobre possíveis nomes para substituí-lo e a incerteza sobre as próximas delações deixam o câmbio à mercê de novos choques.

 Quem tem viagem marcada ao exterior volta a se preocupar com a compra de dólares e questiona se é melhor aproveitar o momento de certa calmaria para comprar toda a moeda de uma só vez.

 Rodrigo Del Barrio, diretor de Tesouraria do Banco Confidence, afirma que, mesmo diante de movimentos bruscos do câmbio, a estratégia de comprar dólares de forma parcelada e programada é o ideal.

 “O melhor é comprar todo mês um pouquinho. Ninguém sabe o que pode acontecer e quais novas informações podem vir à tona. Na quarta-feira da semana passada (18) todo mundo estava tranquilo e, de repente, explodiu uma bomba”, lembra Del Barrio.

 O diretor destaca ser “muito difícil” encontrar o ponto ideal para compra de dólares e a estratégia de dividir a aquisição ao longo do período que precede a viagem permite obter uma média da moeda neste intervalo.