Crianças e adolescentes influenciam cada vez mais as compras do lar

Segundo a TNS InterScience, 82% dessas crianças se "metem" em tudo o que é colocado no carrinho do supermercado

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SÃO PAULO – Que as crianças e adolescentes interferem cada vez mais nas decisões de compras dos adultos, todo mundo já reparou, e agora, através de um levantamento realizado pela TNS InterSicence, é possível saber até onde essa influência pode chegar.

Finalizada em dezembro deste ano, a pesquisa intitulada “As Faces Emergentes do Consumidor em 2006”, revela que 23% do valor gasto no supermercado são destinados às crianças de 2 a 14 anos de idade. E nem adianta deixar os filhos em casa para ir ao supermercado.

Mesmo tomando essa decisão, são as crianças quem decidem, em 36% dos casos, qual será o alimento e a marca destinada a elas. Das crianças que acabam ficando em casa, 61% sugerem os produtos que querem consumir, fazendo encomendas, e 32% delas já pedem pela marca.

Poder de persuasão

Uma coisa é decidir, outra é influenciar. Essa mesma pesquisa, quando realizada cinco anos atrás, revelou que 71% do público infanto-juvenil influenciava fortemente nas decisões das compras de casa; neste ano, esse nível subiu para 82%.

Essa faixa-etária costuma ser ainda mais influente quando o assunto é brinquedo. Em 62% dos casos, o pedido delas é levado em consideração na hora de comprar o presente, considerando aqui crianças com idade entre 4 e 12 anos. Mas quando o assunto é comida supérflua, onde as crianças mais palpitam é na escolha dos biscoitos e bolachas (87%).

Logo em seguida são os refrigerantes (75%), os salgadinhos de pacote (70%), os achocolatados (69%) e chocolates/balas (50%).

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Quanto mais rico, mais exigente

A pesquisa informa que os filhos únicos entre 3 e 6 anos de idade, das classes A e B, são os mais “rebeldes”. Cerca de 40% das crianças fazem birra quando seus pedidos são contrariados.

Entre os “compreensivos” (27%), estão os filhos das classes C e D, que não pedem mais quando o pedido é negado. Mas ainda há os “estrategistas”, que, em 33% das oportunidades, voltam a fazer o pedido depois de um tempo de espera.

“Hoje, o momento de consumo é principalmente entre as classes mais altas, determinado pelo desejo da criança ou dos pais”, analisa a diretora de Planejamento da TNS Interscience, Ivani Rossi.
Mães e adolescentes

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Se já era caro pagar a conta das crianças, arcar com as exigências dos adolescentes é ainda mais penoso. Entre 12 e 14 anos, eles decidem a compra das roupas em 50% dos casos e nos alimentos em outros 45%, sempre influenciados pelo valor da marca.

A pesquisa também mostra o quanto sofre uma mãe diante do pedido do filho. Quando elas trabalham fora, costumam ficar com remorso e acabam não impondo limites aos filhos, mas quando as mães são domésticas, a negação é mais muito mais comum.

De acordo com Ivani, as empresas desses setores precisam entender o comportamento de pais e filhos para conseguir chamar a atenção deles para seus produtos.

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“Ao identificar os aspectos emocionais na conduta dos pais e o perfil do consumidor infantil, este conjunto de informações, somado aos seus indicadores específicos, aponta para a importância crescente das crianças no ponto-de-venda”, completa.

Sobre a pesquisa

Para a composição do estudo, foram entrevistas 1,5 mil mães de São Paulo e do Rio de Janeiro, com idade entre 18 e 44 anos, pertencentes às classes A, B, C e D.