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SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião da última quarta-feira (15), reduziu a taxa Selic de 19,75% para 19,50% ao ano, após três manutenções consecutivas. Muito embora o tímido recuo já fosse esperado, diversos setores da economia analisaram a medida como conservadora, atrasada e insuficiente – embora apresente tendência positiva.
Comércio paulista
Para a Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), as condições para a redução da taxa básica de juros já tinham sido dadas no segundo trimestre do ano. A entidade reforça, em nota oficial, que por várias vezes se posicionou contra o aumento e manutenção da Selic de forma a lembrar que os efeitos da política monetária são defasados. Segundo a Federação, agora o que se vê é “a atividade industrial desacelerando e emprego e salários comprimidos”.
Em sintonia com a Fecomercio, o presidente da Telecheque (verificadora de cheques), José Antônio Praxedes Neto, disse que o BC poderia ter iniciado o ciclo de redução há pelo menos três meses, já que a economia vinha dando sinais de recuperação. Mesmo assim, ele acredita que os juros menores devem dar fôlego para os lojistas, que têm ampliado oferta de crédito para atrair consumo (inibido) e não querem comprometer o desempenho do Natal.
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A diminuição “tímida, mas positiva” também foi a conclusão de Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ele diz que a Selic menor está de acordo com expectativas do mercado, mas frustra os setores que acreditavam na queda de, ao menos, meio ponto percentual. A Associação aponta que havia razões para diminuição mais intensa dos juros. Mesmo assim, espera que nos próximos meses o processo de redução – de qualquer forma positivo – seja mais acentuado para chegar ao final do ano com taxa de 18%.
Indústria
Sobre a medida do Copom, Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), acredita ser “antes tarde do que nunca”. Mesmo assim, a redução teria sido “inexpressiva diante da realidade da economia nacional”. Skaf defende a continuidade da luta pela diminuição dos juros e diz que o Conselho demorou demais para começar o processo. Para a entidade, a taxa ainda é muito elevada e já vem prejudicando os setores produtivos.
O Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) também reforça o “largo atraso” na queda da taxa e sua insuficiência. Por meio de comunicado, afirma que a medida marca o início de um ciclo de reduções nos juros e que não haveria justificativa para mantê-los a 19,75%. Mesmo assim, a postura dos dirigentes da autoridade monetária foi avaliada como conservadora e pouco agressiva.
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A CNI (Confederação Nacional da Indústria) considerou a queda da Selic também “tímida e conservadora”. Segundo o presidente da entidade, Armando Monteiro Neto, haveria espaço na economia para queda mais efetiva e uma reversão do aperto monetário.
Por último, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), em nota à imprensa, completa: “esperamos que o Banco Central continue promovendo de forma acentuada e rapidamente a redução da taxa básica que após esta redução ainda faz com que a taxa de juros real de nossa economia seja hoje a maior do mundo”.
O lado dos trabalhadores
Em tom crítico acima da média, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, considera a taxa básica de juros em 19,5% ainda alta para ampliar o processo de crescimento e geração de empregos. Seria necessário, de acordo com a nota divulgada, considerar as variáveis sociais na condução da política.
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Na mesma linha, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, diz que o Copom “acertou no remédio, mas errou na dose”. Os juros ainda estão em “patamar insuportável”, danoso ao setor produtivo e trabalhadores, desestimulando consumo e abertura de postos. A queda pequena da Selic mostra, segundo Paulinho, o comprometimento do governo com banqueiros e especuladores.