Copa do Mundo: bolas de futebol passam no teste e estão prontas para o gol

A maioria das redondas avaliadas apresentou bom resultado e promete não desapontar em campo

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SÃO PAULO – Em época de Copa do Mundo, os olhares de torcedores espalhados por todo o planeta estarão voltados para ela. E se  o gingado dos jogadores é peça-chave para definir o placar, o comportamento da redonda também pode influenciar o resultado de uma partida.

Pensando nisso, colocamos, pela primeira vez, as bolas na berlinda e a boa notícia é que a maioria das avaliadas apresentou desempenho muito bom. E, embora muito semelhantes, oficiais e réplicas não têm a mesma qualidade, mas vimos que é possível encontrar boas opções para o seu jogo de futebol nesse segundo grupo.

Para fazer bonito no campo, toda gorduchinha que se preze, oficial ou réplica, deve seguir padrões predefinidos pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). Mas para constatar se elas se encaixam em regras ainda mais rígidas, estabelecidas pela federação  para competições internacionais, nos baseamos nos critérios que fazem parte do Programa de Qualidade Fifa. É por meio dele que as bolas são certificadas com o selo Fifa Inspected ou Fifa Approved.

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A circunferência foi um dos quesitos levados em conta e, em comparação às analisadas, a réplica da Adidas Brazuca recebeu conceito fraco, uma vez que o seu tamanho encosta no limite mínimo exigido pela Fifa. No critério peso, grande parte das avaliadas não apresentou problemas. Porém, a nota final de seis delas variou entre fraca e ruim: as oficiais Nike Ordem e Penalty S11 e as réplicas Nike Strike, Adidas Cafusa, Topper e Adidas Brazuca.

Caso você adquira esse último modelo, é melhor cancelar o jogo em caso de chuva, já que ele tende a ficar completamente encharcado. Enquanto as demais gorduchinhas provaram ser capazes de reter pouca água, a Adidas Brazuca chegou a absorver o equivalente a um quinto do seu próprio peso, o que, nesse caso, a faz rolar com menos velocidade pelo campo.

Também observamos se a pressão das bolas se mantém constante, e nenhuma delas desapontou. Isso significa que você pode jogar sua pelada tranquilamente, sem precisar parar no meio da partida para encher a redonda de ar.

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Para fazer um lance bonito ao receber a bola no pé, na cabeça ou no peito, o jogador depende do repique, ou seja, de sua elasticidade e capacidade de quicar. Nesse critério, todos os modelos mostraram estar de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Fifa para campeonatos internacionais.

E se você joga futebol com frequência, atenção à réplica da Cafusa. Ela tende a apresentar pequenas mudanças no tamanho e no formato após algumas partidas.

Trajetória da bola pode sofrer alteração
Quando um jogador chuta em uma direção, mas a bola faz uma curva em outro sentido, a culpa pode não ser do craque, mas sim dela. Isso porque sua trajetória passa por mudanças e, quanto maior a distância por ela percorrida sem que haja qualquer alteração, melhor.

Assim, o teste de comportamento aerodinâmico torna- se muito importante, pois ele simula uma condição real de jogo em que vários aspectos influenciam o caminho percorrido pela redonda, como resistência do ar, forças do chute e da gravidade.

As réplicas Adidas Cafusa e Topper começaram a sofrer alterações em suas trajetórias bem antes das outras bolas analisadas, o que garantiu a elas um resultado ruim. Já a oficial Penalty S11, aprovada e certificada pela Fifa, foi classificada como fraca nesse quesito.

Mesmo esse critério sendo muito importante, ele não está incluído no programa de qualidade da federação. Isso mesmo após a Copa do Mundo de 2010, quando profissionais do futebol fizeram críticas ao comportamento aerodinâmico da Jabulani, bola oficial daquele campeonato.

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Para saber a impressão de quem tem a bola como seu instrumento de trabalho, levamos os modelos testados ao centro de treinamento do Fluminense. Lá elas foram avaliadas por jogadores de linha e goleiros da categoria sub-20. Com exceção da Nike Ordem oficial, tida como fraca, o resultado final para todas foi o mesmo: aceitável. O comportamento das bolas no ar, após o chute, esteve entre as reclamações dos jogadores.

Ficamos ainda atentos ao aspecto visual das gorduchinhas e, em alguns modelos, encontramos falhas na costura e descontinuidade nos desenhos . Isso não atrapalha o desempenho delas no gramado, mas é um direito seu adquirir um produto isento de defeitos, por menor que eles sejam.

Oficial da Copa é a melhor do teste
Bola oficial da Copa do Mundo 2014, a Brazuca foi eleita a nossa melhor do teste. Mas se você prefere levar para o campo um modelo que, embora mais em conta, não decepcionou na qualidade – sendo, inclusive, melhor do que duas oficiais –, opte pela nossa escolha certa, a réplica Adidas Capitano. Assim, você poupa R$ 330 (comparação dos preços mínimos).

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Maioria das bolas foi considerada aceitável
No campo de treinamento do Fluminense, as bolas avaliadas em nosso teste passaram pelo crivo de quatro jogadores de linha e três goleiros da categoria sub-20. Embora as redondas tenham apresentado desempenhos bastante distintos nas análises realizadas em laboratório, a maioria teve o mesmo resultado no teste prático: aceitável.

A exceção foi a Nike Ordem que, embora oficial e aprovada pela Fifa, foi considerada fraca. Os jogadores não se mostraram satisfeitos em relação ao peso e ao repique das bolas. Além disso, eles perceberam que a estabilidade das gorduchinhas no ar, assim como a trajetória por elas percorridas, variam de modelo para modelo e, por isso, acreditam que mais atenção deveria ser dada às características relativas ao voo das redondas. Vale destacar que a impressão de atacantes e de goleiros sobre uma mesma bola tendem a ser bem diferentes.

Na Copa 2014, chutes serão mais certeiros
Durante a Copa do Mundo 2010, foram várias as críticas à Jabulani, bola oficial daquele campeonato. O atacante Luís Fabiano, da seleção canarinho, por exemplo, a chamou de “sobrenatural”, por ela mudar de direção quando lançada ao ar. Descobriu-se então que o problema estava realmente ligado à performance aerodinâmica da redonda, ou seja, ao seu desempenho durante a trajetória percorrida.

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A pedido da Proteste, foi realizado no Japão um teste comparativo entre a Jabulani e a Brazuca, bola oficial da Copa do Mundo deste ano. Os resultados foram interpretados em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Concluímos, então, que teremos neste ano chutes menos velozes em comparação a 2010, já que a Brazuca é mais resistente ao ar do que a Jabulani.

Por outro lado, eles estarão mais precisos e certeiros. Isso porque, após o chute, a Jabulani perdia velocidade e, ao atingir, em média, 80 km/h, desviava- se do seu caminho (tecnicamente falando, entrava em crise). Isso fazia com que ela mudasse de direção muito próximo ao gol, se levarmos em conta que uma bola balança a rede após um chute de falta cuja velocidade está entre 80 e 90 km/h.

Já a crise da Brazuca ocorre em torno dos 60 km/h. Nesse caso, a mudança em sua trajetória nem seria notada. Embora a Fifa reconheça que a estabilidade e a velocidade da bola no ar mereçam atenção, ainda não há a perspectiva de inclusão do teste de aerodinâmica em seu programa de qualidade. Quem perde com isso são os jogadores, profissionais ou não.

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Como fizemos o estudo
Em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), avaliamos 15 bolas de futebol. Entre elas, a Adidas Brazuca, bola oficial da Copa do Mundo 2014. A redondeza das bolas foi um dos quesitos levados em conta. Se ela não é completamente redonda, seu desempenho fica comprometido.

Retenção de tamanho e formato: jogamos as bolas 2 mil vezes contra uma parede a uma velocidade de 50 km/h para constatar se formato, circunferência e pressão se mantêm constantes.

Aerodinâmica:  as redondas foram colocadas em um túnel de vento com o seguinte objetivo: saber quais delas sofrem mais e menos mudanças em sua trajetória.

Teste prático: quatro jogadores de linha e três goleiros da categoria sub-20 do Fluminense, time carioca, após simulação de jogo, deram suas impressões sobre as bolas.

Compare as bolas e escolha a melhor para você
Bolas de futebol Selo da Fifa Preço R$ (abril/2014) Avaliação final
Adidas Brazuka Approved  399,90  85
Adidas Torfabrik Approved  399,90  84
Adidas Cafusa Approved  369,90  84
Adidas Finale Approved  399,90  81
Adidas Finale Lisbon 2014 Approved  399,90  81
Nike Incyte Approved  399,90  70
Nike Maxim Approved  379,90  78
Adidas Finale Top Training (réplica da Finale) Approved  99,90  76
Adidas Capitano (réplica da Finale Lisbon 2014)  69,90  68
Nike Ordem Approved  399,90  65
Adidas Brazuka (réplica) Inspected  69,90  56
Penalty S11 Pró Approved  359,90  53
Nike Strike  (réplica da Incyte)  69,90  53
Adidas Cafusa (réplica)  69,99  37
Topper KV12 Carbon (réplica)  69,99  36

A Proteste reivindica
De acordo com os resultados deste teste, as marcas Nike e Topper não deixam clara a diferença entre a bola oficial e a réplica. Por isso, solicitamos a essas empresas que mudem isso.

O Código de Defesa do Consumidor proíbe a omissão de informações relativas à natureza, às características e à qualidade do produto que possam induzir o consumidor a erro. Por esse motivo, nossa reivindicação é que, no ponto de venda, os fornecedores coloquem informação visível quando se tratar de réplicas. E que novos produtos já saiam de fábrica com a identificação de réplica estampada na bola.

Além disso, sugerimos à Fifa a inclusão de testes de aerodinâmica em seu programa de qualidade, de modo a garantir bolas que apresentem melhor estabilidade nos gramados espalhados em todo o mundo.