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SÃO PAULO – No final do ano passado, a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) anunciou um reajuste nas tarifas de energia cobradas tanto dos consumidores residenciais (+2,9%) quanto do comércio e da indústria (+7,9%). Inicialmente a expectativa era de que este reajuste fosse cobrado nas contas de energia por um prazo entre 36 e 40 meses.
Perdas maiores forçam aumento do prazo
Este aumento foi concedido através de medida provisória no último dia 21 de dezembro, e tem como objetivo recompor parte das perdas que as distribuidoras e geradoras tiveram durante o período de racionamento de energia. Contudo, depois de analisar as perdas com os chamados custos não gerenciáveis das empresas do setor, isto é, gastos que não são de sua responsabilidade, a GCE constatou que as perdas foram maiores do que inicialmente previsto, forçando uma extensão do prazo de cobrança da taxa adicional.
De acordo com o coordenador do Programa de Revitalização do Setor Elétrico e diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Octávio Castello Branco, o prazo de cobrança deve variar de acordo com a empresa, visto que as perdas com o racionamento e os custos não gerenciáveis variam de empresa para empresa, podendo chegar a 58 meses.
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Para o consumidor não há muito o que fazer, a não ser preparar o bolso para o impacto do reajuste no orçamento da família. Apesar do prazo de reajuste variar de acordo com a empresa concessionária da região onde você mora, o certo é que a maioria dos consumidores deve arcar com um reajuste de 2,9% nos próximos cinco anos.
Empréstimo deve recompor perdas
Para recompor as perdas sofridas do setor, o BNDES pretende conceder um novo financiamento entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão, valor estimado das perdas do setor com custos não gerenciáveis. Esta linha deve ser concedida nos próximos meses e completa um outro financiamento concedido no final de 2001 no valor de R$ 5,8 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões são para pagar as perdas das distribuidoras com o racionamento e R$ 1,8 bilhão para as geradoras.
De acordo com BNDES, o prazo de quitação do primeiro empréstimo do BNDES é de 36 e 40 meses, enquanto o segundo empréstimo deverá ser quitado em 12 ou 18 meses. Desta forma o prazo total de quitação destes empréstimos varia entre 48 a 58 meses. Como os reajustes nas tarifas de energia visam cobrir parte dos custos destes financiamentos, a expectativa da GCE é de que os reajustes sejam mantidos entre 48 e 58 meses.