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SÃO PAULO – Apesar do racionamento de energia ter sido suspenso no início deste ano, a população parece ter incorporado parte dos hábitos adquiridos na época, o que tem contribuído para um menor consumo de energia nas residências do país.
Com base em um estudo da Eletrobrás, a expectativa é de que o consumo residencial só retorne aos níveis em que estava antes do apagão em 2008. Por sua vez, nas regiões onde por falta de chuva o racionamento foi mais intenso o consumo pode demorar um ano a mais para voltar ao patamar em que estava. Este seria o caso das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, cuja retomada estaria prevista apenas para 2009.
Consumo caiu 22,5%
O estudo estima que antes do racionamento, iniciado em junho do ano passado e suspenso em março deste ano, o brasileiro consumia em média 173kWh por mês. Desde o final do racionamento, contudo, o consumo residencial caiu cerca de 22,5% para 134 kWh por mês, confirmando que boa parte dos consumidores incorporou muitos hábitos da época do racionamento.
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Na elaboração do estudo, a Eletrobrás considerou um cenário de crescimento econômico de 4,1% ao ano até 2007, depois do que a economia deve crescer em 5% ao ano até 2012. De acordo com estas estimativas, o consumo de energia aumentaria em cerca de 5,1% ao ano de forma que seria necessário aumentar a capacidade de geração em 35 mil MW até 2012.
Previsão de aumento caiu pela metade
Em resposta ao racionamento o governo lançou o Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT), que previa a construção de quatro usinas em Norte Capixaba (Shell, Petrobras e Intergem), Campo Grande (Enersul), Duke Pederneiras (Duke Energy) e Bongi (Chesf), que deixaram de ser construídas.
Em decorrência, o sistema deixará de contar com 1.277 MW de energia, além de 88MW que estavam previstos para serem importados da Bolívia, mas que de acordo com o Ministério de Minas e Energia não serão mais.
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Logo após o final do racionamento o PPT contava com 40 termelétricas que deveriam aumentar a capacidade de geração de energia até o final de 2004 em até 13.637 MW. Contudo, diante das mudanças no PPT, o programa conta no momento com apenas 25 usinas, das quais 9 em operação, 5 em fase de testes e 11 em construção, e a previsão de geração de capacidade caiu quase pela metade para cerca de 7.000 MW.
Aneel adiou licitações e prazos
Apesar da redução na capacidade adicional a ser produzida, o ministério não acredita em desabastecimento, pois os cálculos de consumo já levaram em consideração a redução do PPT.
Como as projeções dão conta de que nos próximos anos haverá excesso de oferta de energia, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) foi instruída de adiar a licitação de novas usinas, ou ampliar os prazos para a entrada em funcionamento dos empreendimentos já licitados. Isto porque com a menor oferta o preço de energia subiria, tornando os investimentos em geração mais atrativos.