Consumo de combustível no Brasil cresce abaixo da projeção da ANP

Agência estimou que consumo fosse crescer 7% em 2011, porém, o resultado foi de 3%, na comparação com 2010

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SÃO PAULO – No final de 2010, a projeção de crescimento do consumo de combustíveis feito pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível) era de 7%, porém, os dados divulgados pela Agência nesta quinta-feira (16) mostram que o consumo total cresceu 3% no ano passado, com a utilização de 121,4 bilhões de litros.

De acordo com a Agência Brasil, no ano anterior, o salto nas vendas chegou a 8,4% em relação ao registrado em 2009.

Para o diretor-geral da ANP, Allan Kardec, o baixo incremento do consumo está relacionado, principalmente, à queda do consumo de etanol. O produto teve uma redução nas vendas de 13,8%. O álcool hidratado apresentou queda de 28,9%, enquanto o etanol anidro, que é adicionado à gasolina, registrou aumento de consumo de 18,3%.

Segundo Kardec, o recuo se deve tanto à quebra de safra em 2011 quanto à crise internacional de 2008, que ainda provocou reflexos e diminuiu o ritmo da indústria nacional. Ele ainda afirma que a expectativa é que o cenário se reverta ainda este ano. “A expectativa é que haja aumento de 10% a 20%. O consumo de combustível é um termômetro. O aumento é diretamente proporcional ao PIB (Produto Interno Bruto). Como a expectativa é que haja crescimento, com aceleração da economia do país, a expectativa é que haja aumento do consumo”, afirma.

De acordo com o diretor-geral, o cenário afetou diretamente o nível de preço do etanol em 2011, que ficou muito acima do patamar registrado nos últimos anos, segundo o superintendente de Abastecimento da ANP, Dirceu Amorelli. “Se o preço do [etanol] hidratado cresce um pouco, você tem a migração para gasolina [que teve incremento de 18,8% do consumo entre 2010 e 2011]. Hoje 50% da frota [de veículos] são [do tipo] flex, então o consumidor pode optar. Alguns poucos optam, ideologicamente, pelo biocombustível, mas a maioria opta, mesmo, pelo bolso”, completa.

Outros combustíveis
No caso do diesel, o consumo subiu 5,2% em 2011, na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o do QAV (Querosene de Aviação) cresceu 10,8%. “A gente observa a economia pelo consumo energético. Não só pela indústria, mas pelo conforto pessoal. Tem mais gente usando o avião e isso acaba refletindo no consumo”, explica Amorelli.

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O superintendente também falou sobre a queda de 25,1% no consumo de óleo combustível. Segundo ele, a substituição do produto pelo coque verde de petróleo é uma tendência esperada pelo mercado. Já produtos como o biodiesel têm registrado aumento nas vendas, mesmo com níveis de preços ainda altos.

Segundo Amorelli, a elevação do consumo do biodiesel, de 2010 para 2011, chegou a 5,3%. A expectativa é de que, com a desconcentração das usinas, o produto se torne mais competitivo. De acordo com ele, quem pode ganhar com isso é o consumidor. “De 2010 para 2011 houve uma desconcentração [das usinas produtoras] e, com isso, espera-se maior competitividade no mercado. Com oferta maior, isso pode refletir em maior competição, maior eficiência de custo e pode trazer o preço um pouco mais para baixo”, finaliza.