Consumo de alto luxo está em alta no Brasil

País conta com cerca de um milhão de consumidores endinheirados, que não se importam de pagar uma fortuna por um item exclusivo

Publicidade

SÃO PAULO – A cidade de São Paulo está se transformando numa espécie de Meca do consumo de alto luxo da América Latina. Isso para quem tem muito dinheiro. O luxo, ao que tudo indica, não sofre crise no País. Muito pelo contrário: o mercado de produtos caros e sofisticados está em grande ascensão.

O tema pode parecer futilidade, mas as cifras não podem ser desprezadas. O mercado imobiliário de alto padrão está em processo de expansão e a demanda por moradias de luxo na capital supera a oferta. Nos últimos anos, a região dos Jardins recebeu uma série de novas grifes mundiais, como Diesel, Bvlgari e Tiffany.

O número de restaurantes sofisticados no Itaim é cada vez maior. Quando o assunto é automóvel, as montadoras descobriram esse mercado de alta renda e os carros de luxo já saem de fábrica devidamente blindados. E no próximo mês, dondocas e grã-finas do Brasil inteiro ganharão o espaço que sempre sonharam: a Villa Daslu, uma mega-loja que reunirá 80 grifes exclusivas.

Planner InfoMoney

Mantenha suas finanças sob controle neste ano

Enquanto isso a classe média é obrigada a apertar o orçamento para comprar celulares que já são obsoletos na Europa, gastam fortunas para adquirir iPods – aparelho que qualquer jovem da classe média dos países centrais já carregam na mochila – e precisam se contentar toda vez que uma rede lanchonetes do primeiro mundo se instala na capital, pois isso só acontece em três shoppings da cidade. Quem não mora perto, tem que se deslocar.

Mercado dos endinheirados

Nessa semana foi inaugurada a reforma da Louis Vuitton no Shopping Iguatemi, com a presença de convidados ilustres e ilusionistas franceses. (A inauguração é hoje, quarta-feira.) O Brasil representa dois terços das vendas da empresa na América Latina. Mulheres de todo País se desesperam por uma bolsinha com a estampa da grife, assim como as norte-americanas, as argentinas e as chinesas. A loja já era antiga no centro comercial, mas resolveu investir para alavancar as vendas.

Aliás, o Iguatemi recebeu uma nova ala de lojas no final do ano passado, dedicada exclusivamente aos consumidores com alto poder de compra. Foi nesse corredor que a grife italiana Bvlgari inaugurou sua segunda loja na América Latina. A primeira fica na Rua Haddock Lobo, nos Jardins. Estima-se que no Brasil exista cerca de um milhão de pessoas que podem participar desse mercado de consumo. E certamente São Paulo concentra a maioria delas. Já existe até mesmo MBA para formar executivos para trabalhar nesse mercado!

Novo templo de luxo

Continua depois da publicidade

Quando o assunto é gastar dinheiro, a primeira imagem que aparece na cabeça das brasileiras endinheiradas é a Daslu, loja que ganhará novo endereço e novo formato a partir de maio. A loja está de mudança da Vila Nova Conceição para um “palacete italiano” em frente ao Rio Pinheiros. Serão 20 mil metros quadros de produtos de luxo, 13 mil a mais que o endereço atual. O custo da obra deve ficar em R$ 200 milhões, sendo que R$ 40 milhões serão bancados pela própria loja.

A Villa Daslu terá um novo conceito de espaço. Ao contrário de como é atualmente, a nova loja terá 80 grifes exclusivas e cada uma será responsável por sua própria loja. Será uma espécie de shopping de luxo, do mesmo formato da Harrod´s londrina, onde além de roupas e acessórios de moda, serão vendidos também aparelhos eletrônicos, objetos para casa, automóveis, barcos e até helicópteros. Quem não quiser comprar um poderá usar o serviço de táxi aéreo para fugir do trânsito e voltar para casa com as sacolas de compras.

Hambúrgueres e afins

Enquanto as mulheres de alto poder aquisitivo terão que disputar a tapa os vestidos nas liquidações da Daslu – aquelas pertencentes à classe média paulistana fazem fila no Burguer King do Shopping Ibirapuera para provar os sanduíches do novo concorrente do Mc Donald´s. A empresa, aliás, é uma das poucas redes internacionais de fast-food que resolveram investir no Brasil nos últimos anos.

As peças vendidas no Empório Armani de São Paulo são as mesmas de Nova York. E o preço também é igual. Já os consumidores comuns pagam por uma camiseta da rede espanhola Zara o triplo do que ela custa em Barcelona. Se os brasileiros ricos não precisam mais pegar um avião para equipar o guarda-roupa, a classe média ainda sofre com poucas opções e paga muito caro pelo pouco que existe por aqui.

E esse panorama está longe se ser modificado. O único crescimento que cresce no País é o de alto luxo. As empresas focadas no segmento médio da população já não olham o Brasil como um mercado promissor. A rede de café norte-americana Starbuck´s, por exemplo, tem estudado sua entrada no País já faz tempo, mas até agora não teve coragem. Ao que parece, no Brasil é mais fácil vender bolsas de R$ 2mil ou vestidos de R$ 15 mil, do que capuccinos e brownies.