Consumidor está mais preocupado com consumo dos aparelhos eletrônicos

Cerca de 58% das famílias se preocupam com consumo na hora de escolher aparelho, antes do racionamento eram apenas 8%

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SÃO PAULO – O ano de 2001 foi um ano particularmente ruim para o setor de eletrônicos do país, uma vez que o racionamento de energia, que começou em junho de 2001 e terminou em fevereiro do ano passado, levou a uma forte retração nas vendas destes produtos.

Apesar do final do racionamento, muitos consumidores incorporaram alguns dos hábitos adquiridos durante a época do racionamento e passaram a consumir menos energia. Além disto, o fato das tarifas elétricas terem sofrido um reajuste de mais de 20% no ano passado, e estarem sujeitas a subir outros 30% neste ano explicaria o interesse em economizar no consumo de energia.

Maioria se preocupa em reduzir consumo

Na hora de comprar novos eletrodomésticos, o consumidor também está dando preferência aos aparelhos que consomem menos energia, como forma de economizar. Pelo menos é isto que foi constatado em um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado junto a 20 mil domicílios.

Segundo o estudo, antes do racionamento apenas 8% da população considerava o consumo de energia de um aparelho eletrodoméstico na hora de comprar um aparelho. Contudo, depois do racionamento, este percentual subiu para 58%, indicando que hoje a maioria se preocupa em economizar.

Como era de se esperar, a maioria absoluta das residências, cerca de 91%, adotou medidas para reduzir os gastos com eletricidade durante o racionamento. A boa notícia é que, entre as residências em que foram adotadas medidas de redução do consumo, cerca de 65% optaram por manter estes hábitos mesmo após o fim do racionamento.

Aparelhos antigos consumiam 52% a mais

Segundo informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), desde 1994 a indústria já vem apostando em modelos de eletrodomésticos mais eficientes, que consomem menos energia. Assim sendo, um refrigerador de uma porta fabricado antes desta data consumia 41 kWh/mês, cerca de 52% a mais do que o consumo atual, que é de 27 kWh/mês.

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A maior preocupação com consumo também pode ter sido resposta a uma campanha lançada pela própria Eletros, na época do racionamento, que buscava incentivar os consumidores a trocar seus eletrodomésticos por outros mais novos e mais econômicos.

Consumo caiu para patamar de 1994

Com base em dados da Eletrobrás, em novembro do ano passado, o consumo médio de energia nas residências do país alcançou 142 kwh, patamar semelhante ao registrado em 1994, ano em que foi introduzido o Plano Real.

A maior retração teria sido registrada nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, onde o consumo de energia só deve voltar aos patamares antes do racionamento em 2009, ou seja, daqui a seis anos. Por sua vez, nas regiões Norte e Sul, onde não houve racionamento, a menor retração do consumo permite que este seja retomado em um período menor de cerca dois a três anos.