Consórcios alongam prazos para competir com financiamentos

Com isso, taxa final de administração cresce, mas pesa menos no bolso do participante mensalmente

Publicidade

SÃO PAULO – Para se tornarem competitivos frente aos financiamentos, os consórcios alongaram os prazos. Um grupo que durava de 36 a 50 meses no passado, passou a ter a duração de até 80 meses, a exemplo dos automóveis.

“Da mesma forma que os financiamentos aumentaram os prazos, a gente teve que aumentar para acompanhar o mercado”, afirmou o presidente da região Sudeste da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio), Luiz Fernando Savian.

De acordo com Savian, o que aconteceu foi que algumas empresas começaram a alongar os prazos, a fim de atrair um público de menor renda e, com isso, o mercado acompanhou. Um exemplo foi a Honda, que passou a oferecer um consórcio de motos em 72 meses. As demais montadoras, então, passaram a oferecer a mesma opção.

Conseqüência

Com este alongamento, o participante tem um maior tempo para pagar pelo consórcio, o que diminui o peso da despesa mensal no bolso.

No caso da taxa de administração – cobrada para remunerar as empresas pelos serviços de organização e gestão do grupo -, com o alongamento dos prazos, houve uma diminuição na taxa mensal, porém, ao final do período, ela ficou maior. “A taxa está ligada a um tempo. Mas a administradora está prestando um serviço por um tempo maior também”, explicou Savian.

Ele deu o seguinte exemplo: um consórcio com uma taxa de 12% em 50 meses e outro com uma taxa de 13% em 70 meses. Apesar da taxa de administração do segundo ser maior, o participante vai pagar menos ao mês (0,18%), na comparação com o primeiro caso (0,24%), uma vez que o prazo é maior.

Continua depois da publicidade

Taxas de administração

Os últimos dados divulgados pelo Banco Central revelaram que os brasileiros pagaram mais por três taxas de administração no sétimo mês do ano. No caso de bens móveis (sem contar automóveis, motocicletas e passagens aéreas), a taxa subiu 0,22 pontos percentuais, de 17,31% para 17,53%.

Outra taxa que aumentou foi a de veículos de grande porte, que passou de 11,90% no mês de junho para 12,03% em julho, assim como a de motocicletas e motonetas, que passou de 14,90% para 14,93%.

A taxa de administração dos consórcios de carros foi a única que registrou queda no sétimo mês do ano, passando de 12,14% em junho para 12,07% em julho. O consórcio destinado à aquisição de bilhetes de passagens aéreas manteve a menor taxa de administração, de 5%, a mesma cobrada desde dezembro de 2004.