Consórcio de imóveis deve crescer em 2002

Juros altos e entrada do Grupo Silvio Santos deverão aumentar o a demanda por consórcios imobiliários no país

Publicidade

SÃO PAULO – O ano de 2001 parece ter sido um período de excelentes negócios para as administradoras de consórcios imobiliários no país. De dezembro de 2000 até outubro do ano seguinte, o número de participantes aumentou em mais de 20%, passando de 76,2 mil para 92 mil. O setor prevê um crescimento ainda maior para 2002, especialmente em função da entrada de um forte concorrente: o grupo Silvio Santos.

Brasileiros migram para o consórcio para fugir dos juros

No ano passado, as altas taxas de juros e a desativação de linhas de financiamento pela Caixa Econômica Federal contribuíram para o aumento da demanda por consórcios imobiliários no Brasil. O banco estava diante de uma situação financeira delicada, que o obrigou a suspender linhas de crédito voltadas para a classe média. No consórcio, o participante fica livre do pagamento de juros, tendo como custo apenas a taxa de administração que é cobrada pelas empresas que organizam os grupos.

O custo anual para o consorciado é de aproximadamente 1%, o que no final do prazo do consórcio fica em 20% do valor do contrato. Nos financiamentos tradicionais, o mutuário desembolsa cerca de 12% ao ano com juros, desconsiderando a TR. Nesse sentido, o consórcio de imóveis é uma boa alternativa de fugir dos juros bancários, porém indicada para aqueles que não tem pressa para mudar. Em 2001 o número de empresas passou de 50 para 80, indicando que esse mercado ainda é pouco explorado e tende a crescer.

Entrada de Silvio Santos favorece setor

O Grupo Silvio deverá investir cerca de R$ 20 milhões com publicidade, que contará com a apresentadora do SBT Hebe Camargo. A empresa tem o objetivo de liderar o mercado de consórcios imobiliários, atingindo um público de renda mais baixa. As cotas serão de R$ 30 mil, bem abaixo da média que a maioria das empresas trabalha, entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.

A campanha publicitária irá beneficiar o setor como um todo, já que a população conhece pouco sobre essa opção de compra da casa própria. A entrada de Silvio Santos, portanto, não será vista como um concorrente a mais, e sim como a divulgação do produto no mercado. A meta da empresa é bastante agressiva, de um faturamento mensal de R$ 30 milhões, provenientes da venda de mil cotas de R$ 30 mil. Atualmente, a Rodobens é a líder do mercado, com 21% da participação. Suas vendas foram duplicadas em 2001, com 14 mil cotas totalizando R$ 700 milhões.