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SÃO PAULO – Depois de cinco meses consecutivos de alta, a confiança do consumidor, medida pela FGV (Fundação Getulio Vargas), caiu 0,4% entre julho e agosto, passando de 111,4 para 109,5 pontos. A queda, no entanto, não pode ser considerada “tão assustadora”, já que reflete apenas uma acomodação do índice, segundo o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo.
“Não houve aumento do pessimismo, houve moderação do otimismo”, afirmou, explicando que isso se deve a uma migração de melhora para estabilidade nas expectativas dos brasileiros para os próximos meses. “Quem achava que a situação ia melhorar, agora acha que vai ficar estável”. Apesar de leve, indicando quase um patamar estável, por estar dentro da margem de erro de 0,6% da pesquisa, a queda de 0,4% no índice merece ser observada. “Se houver uma migração da estabilidade para piora, isso pode indicar uma queda na situação econômica”.
Expectativas em baixa
De acordo com o levantamento, entre julho e agosto houve piora nas avaliações para o futuro em todos os quesitos, o que puxou o índice geral para baixo. O destaque ficou com a situação da economia da região onde os entrevistados vivem, cujo indicador recuou 2,1%, de 118,2 pontos para 115,7 pontos. Já a situação financeira pessoal para daqui a seis meses caiu 1%, de 130,4 para 129,1 pontos. “Há uma persistência das incertezas quanto à recuperação da economia brasileira e ao ritmo da retomada”, explicou Campelo, acrescentando que essa percepção do consumidor é influenciada pelo que acontece nos outros países.
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A avaliação sobre o emprego para os próximos meses foi outra que apresentou queda no período, de 99,9 para 98 pontos. “O mercado de trabalho não piorou como se podia prever, mas também não avançou muito”, comenta o economista.
Destaques positivos
Em contrapartida, a confiança das classes de renda mais altas bem como a dos consumidores da capital paulista têm ajudado a melhorar o índice geral. “O consumidor com renda acima de R$ 4.800 recuperou totalmente a confiança”.
Isso ocorre, diz Campelo, não só porque esses brasileiros estão mais bem informados sobre a situação econômica, mas também porque dois temores que atingiam essa classe se dissiparam. “A alta renda recuperou o otimismo com a recuperação da bolsa e com a valorização cambial”, afirmou, já que, no auge da crise, o consumidor mais abonado “se ressentiu muito com a queda nos preços dos ativos financeiros”, nos quais investia, e com o dólar mais caro, que prejudicou suas viagens para o exterior.
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Para se ter uma ideia, as faixas de renda entre R$ 4.800 e R$ 9.600 e acima desse valor registraram altas respectivas de 0,4% e 0,3% na confiança, em agosto, enquanto a menor faixa de renda (até R$ 2.100) apresentou a queda mais acentuada, de 1,7%.
Já no caso de São Paulo, que, segundo o economista, em um primeiro momento foi mais afetado pela crise, por causa da indústria, a recuperação acontece justamente devido a esse setor, que saiu beneficiado pelas desonerações fiscais do governo, como a redução do IPI para automóveis e eletrodomésticos da linha branca.