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SÃO PAULO – O total de dinheiro emprestado para a compra da casa ou do apartamento corresponde a cerca de 10% do desembolso que o brasileiro tem com aluguel. Pesquisa da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), realizada para mostrar os gastos das famílias em relação à CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), aponta que, no final deste ano, serão mais de R$ 170 bilhões gastos com locação.
Já segundo o Banco Central, o volume de recursos destinados ao financiamento de imóveis, no total acumulado até setembro, ultrapassou toda a concessão de 2006. Foram R$ 14 bilhões liberados nos nove primeiros meses, sendo que, nos 12 meses do ano passado, esse total foi de quase R$ 12 bilhões. Na pesquisa seguinte, foi apontado que, até outubro, o montante somava pouco menos de R$ 16 bilhões.
Facilidades x necessidades
O déficit habitacional soma algo em torno de oito milhões de moradias. Em meio a esse cenário, a liberação de dinheiro para a compra de imóveis deve atingir 10% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2020, segundo a escola de Projetos da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Essa proporção está em, atualmente, 3%, ante 17% do Chile e 65% dos Estados Unidos.
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Especialistas afirmam que as facilitações para liberação do crédito imobiliário lançadas recentemente – como o prazo de pagamento para 30 anos e a ampliação da faixa de renda na modalidade que garante saque do FGTS – ainda não atingem efetivamente aqueles que mais precisam de um financiamento.
Procura
Pesquisa do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo) mostrou que, ao menos na capital paulista, 55% das imobiliárias sentiram aumento na procura por imóveis após a ampliação para 30 anos do prazo para financiamento pela Caixa Econômica Federal e a redução nos juros de algumas linhas de crédito.
“Mais da metade dos negócios firmados no mercado de usados em setembro, 52% deles, foi para imóveis de até R$ 100 mil. Houve uma diminuição de 3% na comparação com o mesmo período do ano passado”, afirmou recentemente o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana. “Mesmo com febre de financiamentos, para essa faixa de renda a modificação é quase imperceptível”, contou.
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Fundo do poço
Diretor-executivo do Sindicato da Habitação, Celso Petrucci explicou que, desde 2003, o Brasil sai do “fundo do poço” das aplicações para a caderneta de poupança, fonte para o crédito imobiliário dentro do Sistema Brasileiro de Pagamento e Empréstimo. De qualquer maneira, o avanço foi grande, desde então: de 30 mil financiamentos em 2002 para algo em torno de 180 mil neste ano.
A situação atual, apesar de não ser a ideal para consumidores de baixa renda, colabora para maior facilitação da liberação de dinheiro. “Bancos que operavam a carteira para aqueles com renda acima de dez salários mínimos, hoje já oferecem para quem ganha até cinco mínimos”, afirmou, em entrevista concedida em novembro à InfoMoney.
Necessidade
Todo esse cenário explica os motivos pelos quais os brasileiros ainda precisam arcar com o aluguel para terem onde morar. Segundo o Creci-SP, em outubro, houve queda de 1,1% no índice de locação na capital paulista.
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A pesquisa apontou 25 aumentos no valor do aluguel e 17 reduções. A maior queda (3,29%) foi para casas de quatro dormitórios situadas na Zona E, que agrupa bairros como Brasilândia, Campo Limpo, Itaim Paulista, Itaquera, Pirituba e São Mateus. O preço médio passou de R$ 810 para R$ 783,33.
Já a locação que apresentou maior valorização (6,60%) foi a de casas com dois quartos localizados também na Zona E. Neste local, o valor médio foi de R$ 429,64 em setembro para pouco mais de R$ 458 no mês seguinte.