Concentração bancária e de crédito amplia efeitos da crise, diz presidente do Ipea

Para Pochmann, tendência dos bancos de privilegiar Sudeste e Sul mostra que crise afeta de forma distinta o País

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SÃO PAULO – O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, afirmou que a concentração do crédito em regiões mais ricas do Brasil e a diminuição do número de bancos no mercado têm ampliado os efeitos negativos da crise.

“A tendência deles [bancos] em favorecer o crédito nas regiões Sul e Sudeste nos mostra que a crise afeta de forma diferenciada as regiões do País, fazendo com que as mais pobres acabem perdendo a fatia de participação que tinham no acesso ao crédito”, disse ele à Agência Brasil, depois de participar de audiência pública na Câmara dos Deputados, na terça-feira (7).

Pochmann afirmou que a concentração do crédito no Sudeste subiu de 59% em 1997 para 70% atualmente. “Já o Nordeste caiu de 13% para 6% e o Centro-Oeste, de 12% para 8,5%”. De acordo com ele, uma melhor distribuição do crédito contribuiria para evitar o agravamento da crise nas regiões de menor capacidade reativa.

Concentração

A concentração bancária também foi apontada por ele como prejudicial ao combate à crise. Ela começou, conforme disse Pochmann, a partir da abertura do mercado nos anos 1990.

“Em 1996, havia 230 bancos no País. O número reduziu para 156 em 2007. Também caiu a proporção de agências em relação à população. Aproximadamente 90% dos ativos bancários estão concentrados nas mãos de apenas 20 instituições”, disse ele. “Portanto, ao mesmo tempo que temos concentração bancária e redução de bancos, temos também má distribuição do crédito no Brasil”, disse.