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SÃO PAULO – A intenção de consumo das famílias para o último trimestre de 2012, período tradicional de vendas por conta do Dia das Crianças e do Natal, registrou queda recorde de 22 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, ficando em 56%. De cada 100 pessoas, apenas 56 desejam comprar bens duráveis até o fim do ano.
Em agosto de 2011, 78% dos consumidores entrevistados tinham essa intenção de compras, segundo Pesquisa de Intenção de Compra do Varejo, feita pelo do Provar (Programa de Administração do Varejo) e pela FIA (Fundação Instituto de Administração) em parceria com a Felisoni Consultores Associados. A pesquisa é feita a cada três meses com 500 consumidores em toda a capital paulista.
No trimestre passado, a intenção foi de 53,8%, representando uma singela alta de 2,2% para este último trimestre do ano.
Crescimento em 2012
Embora as intenções de compras tenham caído, as vendas no varejo devem crescer entre 7% e 8,4% no acumulado do ano, segundo a pesquisa.
Em 2011 o crescimento do consumo foi de 6,8% em relação a 2010 e para este ano deverá ficar entre 7% e 8,4%. “O resultado deste ano deverá ser alcançado devido aos incentivos do governo para aumentar o consumo, além da tendência de crescimento da renda do brasileiro”, disse Cláudio Felisoni, presidente do conselho do Provar. Segundo ele, se não houvesse os estímulos do governo, o crescimento do varejo no Brasil seria por volta dos 6,3%.
Inadimplência
A inadimplência continua a prejudicar o comércio. Em agosto de 2012, 7,9% dos entrevistados estavam com atrasos em pagamentos superiores a 90 dias, ante 7% em 2011. Os prazos de pagamentos de dívidas foram para 614 dias em agosto. No mesmo mês do ano passado esse prazo era de 584 dias.
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“Geralmente o período do Natal registra o dobro do crescimento de um trimestre normal”, conta Felisoni, entretanto afirma que as pessoas compram menos se o endividamento aumenta.
“É um cenário pessimista pois se a inadimplência aumentar até o final do ano, teremos um crescimento menor do consumo”, avalia o professor Felisoni, que explica que os estímulos do governo, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), fez com que muita gente efetuasse compras nos meses anteriores, ou seja, não vão mais comprar bens duráveis no final do mês, e sendo assim os estoques das lojas estão a aumentar. “Mesmo com juros caindo, as taxas continuam altas e além disso, as pessoas já estão bastante endividadas com as compras do passado”, afirma Felisoni, que acredita que o movimento das lojas no Dia das Crianças e no Natal deverá ser menor em 2012.