Compras com desconto em folha podem ser vantajosas, mas devem ser avaliadas

Não é apenas o juro que deve ser levado em conta, mas também outras tarifas cobradas em paralelo, como a TAC

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SÃO PAULO – Redes varejistas lançam uma nova modalidade de pagamento: as parcelas do financiamento poderão ser descontadas direto do salário do comprador. A modalidade de crédito consignado, que trabalha com a idéia de reduzir juros, uma vez que é baixa a inadimplência com a dívida sendo abatida automaticamente no momento em que a pessoa recebe seu holerite, pode ser vantajosa, avalia a Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor).

Contudo, antes de aproveitar o benefício, é importante prestar a atenção a algumas cobranças que podem ser impostas ao cliente, o que encareceria a prática no final. “Normalmente o crédito consignado tem uma taxa menor que as demais. Mas não é apenas o juro que deve ser avaliado, e sim outras tarifas cobradas em paralelo, como a TAC [taxa de abertura de crédito], seguro, entre outros”, explicou Leonardo Diz, assessor econômico da entidade.

Taxas de juros

Segundo a Nota de Política Monetária com dados de outubro, divulgada na última terça-feira (27) pelo Banco Central, tomar empréstimo com desconto em folha é realmente mais barato do que na modalidade crédito pessoal.













Taxa mensal Outubro 2007
Consignado 2,24%
Crédito pessoal (outros) 4,16%
Crédito pessoal (média) 3,37%

Fonte: Banco Central

No décimo mês do ano, o volume total de crédito consignado alcançou R$ 62,119 bilhões, o que representa um avanço de 34,9% frente a outubro de 2006. Com isso, a participação do crédito consignado no total de crédito pessoal subiu de 53,1% para 56,6% no período.

Comprometimento da renda

De qualquer maneira, é importante lembrar que, quando se toma um empréstimo, parte do orçamento fica comprometido. Segundo a Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), 31% da renda dos paulistanos está direcionada ao pagamento de dívidas. A Pro Teste aconselha que, para não haver risco de perda de controle, essa proporção deveria ser menor.

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“É necessário que seja observado o grau de endividamento. Além disso, essa praticidade do desconto direto em folha deve ser muito bem avaliada: aquele é um dinheiro debitado automaticamente, o que tira a possibilidade da pessoa gerenciar da melhor forma possível seu orçamento”, lembrou.