Comprar alimentos ficou 14% mais caro em 12 meses

Segundo o Dieese, índice ficou bem acima da inflação acumulada para o período, de 4,95%; baixa renda foi a mais atingida pela dos alimentos

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SÃO PAULO – Comprar alimentos na cidade de São Paulo ficou 14,17% mais caro nos últimos 12 meses terminados em maio deste ano. A taxa é maior do que a da inflação geral acumulada para o mesmo período, de 4,95%, segundo dados do ICV (Índice de Custo de Vida), divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Segundo o levantamento, a alta dos preços do grupo Alimentação, apontada como o principal fator para o aumento inflacionário dos últimos 12 meses, concentra-se apenas em seis itens básicos: arroz, feijão, carne, óleo, derivados do trigo e leite.

A influência desses itens no índice revela-se mais acentuada a partir de dezembro. Com o aumento no preço do feijão em janeiro, os produtos in natura e semi-elaborados atingem a maior alta (18,83%) da série histórica, bem acima do grupo Alimentação (11,08%).

Nos meses seguintes, as taxas caíram, chegando a 15,85% em abril, mas voltaram a subir no mês passado (20,07%), desta vez por causa da alta ocorrida nos preços do arroz (19,83%).

Indústria alimentícia também é afetada

Já os preços dos produtos da indústria alimentícia avançaram 10,13% nos últimos 12 meses encerrados em maio, devido aos aumentos nos óleos (61,55%), farinha de trigo (43,11%), leite em pó (36,79%), pão francês (27,72%) e massas secas (25,28%).

Confira, na tabela abaixo, a evolução do índice no período:

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Índice do Custo de Vida
Alimentação Produtos in natura e semi-elaborados Produtos da indústria alimentícia Índice Geral
Junho/07 0,99% 1,03% 1,17% 0,15%
Jul/07 2,04% 2,33% 2,36% -0,15%
Agosto/07 3,28% 4,09% 3,79% 0,24%
Setembro/07 4,02% 5,37% 4,14% 0,55%
Outubro/07 5,05% 7,56% 4,16% 0,89%
Novembro/07 6,16% 10,84% 3,21% 1,17%
Dezembro/07 9,01% 16,10% 3,91% 2,27%
Janeiro/08 11,08% 18,83% 5,38% 3,17%
Fevereiro/08 11,06% 17,72% 6,09% 3,14%
Março/08 10,88% 15,93% 6,95% 3,61%
Abril/08 11,49% 15,85% 8,40% 4,05%
Maio/08 14,17% 20,07% 10,13% 4,95%

Fonte: Dieese

Baixa renda: vítima e culpada

Ainda conforme o Dieese, embora sejam as mais atingidas pela inflação dos alimentos na capital paulista, as famílias de baixa renda, pertencentes aos estratos 1 e 2, são apontadas como responsáveis pelo aumento da demanda interna desse grupo, que acaba impactando nos preços.

Além do crescimento do consumo, fatores como o clima e problemas de abastecimento, relacionados às exportações e importações – como o ocorrido recentemente com o trigo que o Brasil compra da Argentina -, interferem nos preços dos alimentos.

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Para os próximos meses, o Dieese prevê que o custo dos alimentos deve se estabilizar, mas em um patamar elevado. “No entanto, não há sinais de que permitam detectar quedas acentuadas em seus valores. Portanto, há necessidade de aumentar, de forma ágil, a oferta de alimentos e não permitir que o ajuste inflacionário se dê à custa da população de menor poder aquisitivo”, afirmam os técnicos no documento de divulgação do levantamento.