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SÃO PAULO – Em uma operação que surpreendeu o mercado, a Vivendi anunciou na última sexta-feira (13) a aquisição de 37,9% do capital social da GVT, derrotando a Telefônica na disputa pela operadora de telecomunicações. A operação, segundo entidades de defesa do consumidor, será positiva aos clientes.
Na época das privatizações do setor de telefonia fixa no Brasil, na década de 1990, cada concessionária ficou responsável por uma região e obrigada a promover a universalização do sistema, por meio de um preço módico. Mais tarde, abriu-se a possibilidade de entrada de empresas-espelho, que existem para concorrer com as grandes concessionárias, a exemplo da GVT.
De acordo com a advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Estela Guerrini, a compra da GVT pela Vivendi é positiva porque trará mais competitividade ao setor de telefonia fixa e banda larga em São Paulo, se a empresa que atua no Sul e Centro-Oeste do País decidir se expandir para o Sudeste, o que havia sido anunciado.
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“Preocupou muito quando a Telefônica quis essa compra. Havia o risco de eliminar um potencial concorrente, porque a GVT havia anunciado entrar em 2010 em São Paulo”, afirmou Estela, para quem o consumidor de baixa renda de São Paulo está refém da Telefônica, em um monopólio que traz preços maiores e uma qualidade não tão boa do serviço. “O que se espera é que a GVT passe a atuar no mercado de baixa renda e o consumidor tenha poder de escolha”.
Competitividade
A Pro Teste – Associação de Consumidores também aprovou a compra de parte da GVT pela Vivendi, grupo francês de telecomunicações. “Na verdade, nós acreditamos que é bom para o consumidor, porque hoje não há disputa na telefonia fixa”, disse a coordenadora institucional da associação, Maria Inês Dolci.
Antes de anunciada a operação, a Pro Teste havia enviado ofício à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para alertar sobre os riscos que a compra da GVT pela Telefônica traria ao consumidor, tendo em vista o aniquilamento das condições para a competição e de perspectivas de redução de tarifas e preços, assim como de melhoria da qualidade dos serviços.
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Operações de compra como esta devem passar por apreciação do órgão regulador e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça criada para fiscalizar e prevenir abusos do poder econômico. A duração do processo é imprevisível.
“Por enquanto, até que a compra se concretize, as pessoas não vão ver diferença. Esperamos que surja quando a compra passar a valer no mundo real: quando houver publicidade, divulgação de preços, quando o consumidor conseguir falar com a empresa por telefone e etc.”, afirmou Estela, do Idec.