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SÃO PAULO – Sem que você saiba, o Google dominou a sua vida: ele provavelmente sabe onde você está. Ele sabe onde você trabalha, quanto tempo você demora para chegar lá, qual ônibus você pega, quais suas preferências pessoais, seus hábitos de consumo, o que você acessa no computador, no celular, quais músicas ouve, o time que você torce. Ele até grava todos os lugares para onde você vai.
Hoje a terceira maior empresa do mundo, o Google era tido como um “futuro fracasso”, pouco menos de 10 anos atrás. A companhia, na época “apenas” um buscador de internet, realizava um processo complicado de abertura de capital da Nasdaq, bolsa americana que concentra as empresas de tecnologia. E parte dos analistas acredita que a Microsoft a mataria, como matou o Netscape anos antes, apenas colocando um buscador integrado no Windows. O buscador, Bing, foi lançado. Mas nunca decolou.
Atualmente, a gigante vale cerca de US$ 360 bilhões, pouco abaixo de Apple e ExxonMobil. Mas sua influência no nosso dia a dia é superior as duas: o Google é dono do Android – principal sistema operacional em Smartphones -, YouTube, Waze, possui diversos sistemas próprios de muito sucesso, como Gmail, Google Drive e Google Docs. Além disso, eles ainda possuem uma parte da Motorola (recentemente vendida para a Lenovo), desenvolve um carro autônomo e possui até uma empresa de viagens espaciais.
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E quase tudo foi por água abaixo após uma desastrosa abertura de capital, com piadas indevidas durante o roadshow e até mesmo uma entrevista na Playboy no período de silêncio (embora tenha sido concedida 5 meses antes). Até mesmo o modelo de precificação das ações foi considerado impróprio.
Naquela época, a empresa chegou a ser criticada por quase todos os analistas, que acreditavam que o modelo do Yahoo era mais interessante e daria mais sucesso – o que o tempo provou estar errado. O Google também foi criticado por Steve Wozniak – co-fundador da Apple com Steve Jobs -, que embora visse potencial na empresa, mostrava-se bastante cético enquanto a ela.
Para gente da indústria, como Steve Ballmer, CEO da Microsoft, o Google teria anos estáveis pela frente. Não era o que os fundadores, Sergey Brin e Larry Page, acreditavam. Eles escreveram uma carta de sete páginas alertando que o Google não era uma empresa convencional: ela favorecia tomadas de decisão que envolviam grandes riscos, projetos a longo prazo e essencialmente queria melhorar o mundo.
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Além disso, a entrevista da Playboy trouxe grandes controvérsias. Uma brincadeira entre Eric Schmidt, CEO do Google, e Brin acabou passando a ideia de que o Google era uma ditadura, nada mais longe da verdade. A aparência era fortalecida pela decisão de Page e Brin de não abrir mão de tomar todas as decisões estratégicas do Google.
No final, a empresa foi adiante e virou um sucesso. Hoje, não há dúvidas de que é a empresa mais inovadora do mundo – e pretende, em breve, invadir sua casa com equipamentos “inteligentes” para residências. O que mais eles podem fazer para estar na sua vida?