Comida para viagem: serviços de entrega ganham upgrade tecnológico

Movimento é impulsionado por convergência de tendências

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(SÃO PAULO) – Os restaurantes entregam alimentos nas casas das pessoas há décadas, mas agora o setor está sendo sacudido por uma onda de startups de tecnologia que estão eliminando os pontos fracos, tanto para consumidores quanto para vendedores. Os investidores acreditam que a categoria vai gerar uma série de empresas de um bilhão de dólares na Europa, chamadas de “unicórnios”.

“Esse movimento está sendo impulsionado por uma convergência de tendências: praticidade, penetração maior de smartphones, hábitos econômicos aprendidos com a recessão (por exemplo, que muitas vezes é mais barato pedir alimentos que comer fora), o fato de a casa estar se transformando cada vez mais em um centro de entretenimento (outro aspecto estimulado pela recessão) e uma maior disponibilidade”, explica a chefe de análise estratégica, econômica e do consumidor da Euromonitor, Sarah Boumphrey, que acrescenta que os aplicativos incitaram o crescimento do setor.

Primeira onda

Uma das pioneiras foi a startup dinamarquesa Just Eat, criada em 2001, que estreou na Bolsa de Valores de Londres há 16 meses. O serviço baseado na internet oferece um conjunto de cardápios e um sistema on-line e seguro de pedidos e pagamentos aos restaurantes, de forma que eles não precisam investir em seus próprios sistemas web. O modelo é adotado também por outras empresas, como a TakeAway.com, de origem holandesa, e a Delivery Hero, com sede em Berlim.

“Essas empresas continuam crescendo rapidamente porque resolveram grandes dores de cabeça dos restaurantes independentes”, explica Alessandro Casartelli, vice-presidente do banco de investimento GP Bullhound, focado em tecnologia.

Mesmo assim, uma vez que os pedidos são processados por meio dessas empresas, o antigo modelo volta a vigorar: o restaurante ainda precisa contratar alguém para fazer a entrega fisicamente para o cliente.

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Uma nova leva de empresas está assumindo esse ponto crítico, integrando-se verticalmente às operações. “Elas finalmente são capazes de gerenciar a logística de forma mais eficiente, enquanto antes cuidavam apenas dos pedidos”, diz Casartelli.

Mercado de um trilhão de dólares

“A alimentação é um mercado de um trilhão de dólares que é realmente difícil de penetrar para as empresas de tecnologia, mas os softwares podem resolver alguns dos pesadelos logísticos associados ao gerenciamento de alimentos perecíveis e à entrega rápida às pessoas certas”, acrescenta.

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A Deliveroo, que no mês passado arrecadou US$ 70 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela Index Ventures e pela Greenoaks Capital, possibilita que os clientes façam pedidos a restaurantes de alto padrão que não contam com um serviço próprio de entrega, cobrando uma taxa de entrega de 2,5 libras (US$ 4). Os restaurantes que usam o serviço da Deliveroo podem observar um aumento de até 30 por cento em suas vendas, segundo a Index Ventures.

A principal inovação está nos recursos de mapeamento da Deliveroo, que, de forma semelhante à Uber, permitem que a empresa planeje e preveja como buscar e levar refeições quentes da forma mais eficiente.

Caixas de receita

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Um modelo de negócio alternativo é oferecido por empresas como Hello Fresh e Gousto, na Europa, e Blue Apron e Plated, na América do Norte. Elas estão em algum ponto entre os serviços atuais de entrega de compras, como os britânicos Ocado e o Tesco Direct, e as antes mencionadas empresas de encomenda e entrega.

Elas entregam caixas com as quantidades exatas de ingredientes frescos e receitas que mostram aos clientes como preparar refeições gourmet em casa.

Diferentemente dos serviços de entrega de alimentos, a Hello Fresh controla a experiência do cliente do início ao fim. “Somos uma empresa de operações e cadeia de abastecimento. Nós adquirimos uma enorme quantidade de ingredientes, controlamos a cadeia de abastecimento, as caixas, a entrega… nós precisamos ser muito bons nisso, pois lidamos com produtos perecíveis”, explica o fundador e CEO da empresa, Dominik Richter.

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Casartelli prevê que haverá espaço apenas para um ou dois players grandes em cada mercado, por isso haverá muita consolidação mais adiante. “Este é um mercado competitivo: os clientes terão um ou dois aplicativos no telefone, por isso o poder vem de se ter o máximo de oferta e demanda possível”.

Por Olivia Solon