Comércio segue desaquecido, após cinco meses sucessivos de queda nas vendas

Pesquisa do IBGE apurou queda de 3,82% no comércio varejista em abril: segmento de móveis e eletrônicos foi destaque negativo

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SÃO PAULO – Pelo quinto mês consecutivo, as vendas do comércio varejista brasileiro registraram queda na comparação entre o mês avaliado frente ao mesmo período do ano anterior, conforme apurado pela Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Dessa maneira, a pesquisa apontou uma retração de 3,82% das vendas do comércio no mês de abril, frente a igual período de 2002. Em março, o recuo das vendas do comércio varejista havia sido ainda maior: 11,35% frente ao mês de março de 2002.

Quedas contínuas confirmam desaquecimento do setor

O setor de comércio varejista encontra-se em situação de fragilidade desde o segundo semestre de 2001. Para se ter uma idéia, durante o ano de 2002, as vendas do comércio registraram queda em seis meses, sendo que nos demais, as expansões não passaram de 2,27%, sendo esta alta atingida no mês de agosto.

A partir daí, as vendas subiram apenas nas comparações anualizadas de outubro (+0,63%) e novembro (+0,02%), voltando a cair em dezembro (-5,07%). Em 2003, a queda acumulada das vendas do comércio varejista já chega a 5,45%. Considerando-se os últimos doze meses terminados em abril, as vendas acumulam baixa de 2,07%, segundo os dados do IBGE.

Um dado preocupante revelado pela pesquisa do IBGE diz respeito à queda generalizada das vendas em todas as atividades pesquisadas, fato que vem ocorrendo desde o relatório referente ao mês de março. Dessa maneira, as vendas de móveis e eletrodomésticos retraíram-se 16,63% na comparação anualizada de abril, desempenhando o papel de destaque negativo do comércio.

Vendas em hipermercados registraram menor queda

Até o mês de março, o destaque negativo do comércio era ocupado pelo ramo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas. Entretanto, no mês de abril, o segmento não somente deixou de ser destaque, como foi o que mais contribuiu para a desaceleração do ritmo de queda do comércio varejista no referido mês.

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Neste sentido, enquanto em março o segmento em questão havia registrado expressiva queda de 13,25% em suas vendas, frente ao mesmo período de 2002, em abril a queda foi de apenas 1,05% frente ao mesmo mês do ano anterior. Considerando-se, de forma específica, apenas o sub-segmento hipermercados e supermercados, a queda foi ainda menor: 0,41% frente a abril de 2002.

Resultados em SP e RJ pressionam varejo nacional

De forma bastante previsível, o desempenho dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores centros comerciais do país, pressionou a fraca performance do varejo nacional durante o mês, respondendo por cerca de 60% da queda total do setor. Dessa maneira, as vendas do comércio varejista retraíram-se 3,89% em São Paulo e 5,52% no Rio de Janeiro, considerando-se o resultado de abril em comparação ao mesmo mês de 2002 para ambos os casos.

O destaque negativo, entretanto, coube ao Espírito Santo, onde as vendas do comércio registraram queda de 18,21% durante o mês de abril, tomando-se como base de comparação igual período do ano anterior. Vale destacar que somente em três estados da Federação as vendas do comércio registraram elevação: Rondônia (+12,49%), Paraná (+5,34%) e Santa Catarina (+3,10%).

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