Publicidade
SÃO PAULO – A elevação do salário mínimo em maio de 2005 e a possível queda na taxa básica de juros é a combinação perfeita para o aumento do consumo no ano que vem. Esta é a previsão de Carlos Tadeu, chefe da divisão de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Para o ano que vem, a expectativa da entidade é que o comércio cresça 3,5% na comparação com 2004, o que “significa bastante”, já que parte de uma base de comparação elevada. O economista lembra ainda que o setor de bens não-duráveis deve se destacar, sobretudo o segmento de alimentos.
Vale lembrar que este cenário otimista leva em consideração o crescimento do PIB em 3,5%, a queda na taxa básica de juros a partir de maio, o dólar estável, expansão da indústria de pelo menos 4,5% e ausência de turbulências externas.
Em 2004, o comércio apresentou elevação de faturamento da ordem de 8,5%, na comparação com 2003.
Outras opiniões
Embora também acredite no aumento do consumo de alimentos, o economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), Maurício Soares, não acha que a elevação do salário mínimo provocará grandes mudanças na economia nacional.
Para ele, outras alterações devem ocorrer na aquisição de remédios, já que incremento no salário beneficia muitos aposentados. Contas atrasadas, como aluguel, também podem ser quitadas com mais facilidade.
Continua depois da publicidade
No entanto, Soares lembra que a expansão na renda não é tão significativa, já que os mesmos R$ 40 do atual acréscimo já foram concedidos no aumento de 2003. Ele ressalva, porém, que este ano a inflação é bem menor.
Ainda de acordo com o economista do Dieese, a divulgação do aumento do salário foi acompanhada por outra boa notícia, que é a disposição do governo em criar um conselho que estabelecerá aumentos do mínimo a longo prazo. Trata-se de uma política permanente para recuperação da renda do trabalhador.
Esta medida também foi elogiada pelo economista da Unicamp, Cláudio Dedecca, que ainda se disse satisfeito com o aumento do mínimo. Para ele, o incremento da renda do trabalhador, somado à decisão do governo em aumentar os gastos públicos no ano que vem, contribuem para um crescimento econômico de pelo menos 3,5%.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro