Publicidade
SÃO PAULO – Diferentemente do que aconteceu com a classe AB, a classe média brasileira ainda não voltou ao mesmo nível de antes da crise, quando analisado o número de pessoas. Apesar de ser a primeira impactada pela crise econômica, a classe AB (renda acima de R$ 4.808) já superou o nível de dezembro de 2008, quando correspondia a 15,33% dos brasileiros.
Em dezembro de 2009, 16 meses após a chegada da crise, esses já eram 15,63% da população. A faixa fica, dessa forma, mais próxima de seu pico histórico de 15,72%, atingido em agosto de 2008.
Já a classe média, no entanto, ainda não superou o nível de um ano atrás. Em dezembro de 2008, 53,81% dos brasileiros se encaixaram nessa população, que possui renda entre R$ 1.115 e R$ 4.807, e hoje eles são 53,58%, de acordo com pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas).
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Primeira a sofrer e a se recuperar
O economista responsável pelo estudo, Marcelo Neri, afirma que a classe AB foi a primeira a se recuperar porque também foi a primeira a sentir os impactos da crise, já em setembro de 2008, enquanto a C só começou a “sofrer” os efeitos da recessão mundial no início de 2009.
Ele explica que, quando comparamos os dados de dezembro de 2009 com dezembro de 2008, estamos comparando com uma época em que a classe C ainda estava perto de seu nível mais alto da história. “Estar agora apenas -0,4% abaixo de um período de recessão não pode ser considerado tão negativo”, declarou Neri.
“É um indicativo tímido em relação aos cinco anos anteriores, pois entre 2003 e 2008 observamos grande crescimento na renda e diminuição da pobreza”, acrescentou o economista, salientando que o ano de 2009 “ficou no empate, o que, em uma situação adversa como a da crise, não pode ser visto como um resultado ruim”.
Continua depois da publicidade
Pobreza
Uma notícia boa do período de recuperação pós-crise é que a proporção de pobres no País também diminuiu. Segundo a FGV, o aumento de 6,7% na pobreza observado na passagem de 2008 para 2009 foi não apenas revertido ao longo do ano passado, como resultou em queda de -1,5% na quantidade de brasileiros na faixa de renda de até R$ 804, considerados da classe E.
Já a classe D (famílias com renda entre R$ 805 e R$ 1.114) representa 13,37% da população. Um ano antes, essa classe correspondia a 13,18% dos brasileiros.
Pequena década
Um dos objetivos do estudo, segundo Neri, era mostrar que o período entre 2003 e 2008 pode ser considerado uma “pequena grande década”, devido às melhorias de renda: somadas as classes ABC, houve um aumento de 28,9% no número de pessoas. Enquanto isso, a proporção de pobres (classe E) caiu 41% ao longo do mesmo período.
Continua depois da publicidade
De acordo com Neri, em relação à renda, o Brasil apenas registrou uma “parada súbita” no ano passado. “Para o próximo período, entre 2010 e 2014, temos todo o potencial para obter os mesmos resultados que obtivemos entre 2003 e 2008”, estima Neri.
“A expectativa é positiva. Em ano de Eleição, a economia sempre cresce. Além disso, os empresários superestimaram a crise, demitiram e agora vão voltar a contratar, a aumentar a produção para recompor os estoques. Está no horizonte vermos 11 anos de grandes avanços de renda no Brasil”, completou.