Cimed entra na K-Beauty com linha de skincare a partir de R$ 70

Após internacionalizar o Carmed, farmacêutica lança a marca Mili; "queremos ser a fast fashion da categoria", diz João Adibe

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Depois de levar o Carmed para o mercado internacional, a Cimed decidiu entrar em uma das categorias que mais crescem na indústria global de beleza. A companhia anunciou a Mili, sua primeira marca de cuidados com a pele voltada ao consumidor final, inspirada na chamada K-Beauty, tendência que popularizou os cosméticos sul-coreanos em mercados de todo o mundo.

A linha foi desenvolvida a partir de produtos fabricados na Coreia do Sul e chegará às farmácias e perfumarias brasileiras em janeiro de 2027. Os preços ficarão entre R$ 70 e R$ 200, abaixo da faixa praticada por parte das marcas importadas presentes no mercado nacional.

“Há cinco anos começamos a frequentar a Coreia por causa dos preenchedores e passei a ver esse mercado crescer muito. Já era um fenômeno dentro da Coreia, mas ainda não era tão forte fora. Depois chegou ao Brasil. E, em um primeiro momento, quando uma tendência viraliza, é preciso qualificá-la, isto é, entender se o produto entrega a experiência prometida. E eu fui surpreendido”, disse João Adibe, presidente da Cimed, ao InfoMoney.

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A aposta ocorre em meio ao avanço dos cosméticos sul-coreanos no país. Segundo dados do Korea Customs Service, as importações brasileiras desses produtos cresceram 951% em 2025, alcançando US$ 54,3 milhões.

A Mili estreia com sete produtos: Exo Cleanser, Exo Toner, Exo Mist, Exo Sérum, Exo Cream, Exo Eye Cream e Exo Shot. Os itens utilizam uma base tecnológica chamada METAexosome L55, combinada a um complexo de peptídeos, ingredientes que ganharam espaço nas formulações associadas ao skincare coreano.

O processo de desenvolvimento exigiu mais do que a busca por fornecedores. Segundo a companhia, foi necessário adaptar os produtos às exigências regulatórias brasileiras. Para isso, equipes da Cimed realizaram uma imersão de três meses em quatro países asiáticos, visitando 18 cidades, participando de feiras do setor e avaliando dezenas de fabricantes antes de definir a estrutura industrial da nova marca.

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Para desenvolver a Mili, a empresa investiu R$ 80 milhões e projeta faturamento de R$ 150 milhões no primeiro ano de operação.

“Fast fashion” da categoria

A estratégia da Cimed não é disputar espaço diretamente com as líderes tradicionais do mercado de dermocosméticos, segundo Adibe. “Não vou competir com La Roche ou Vichy. É um novo mercado, uma segmentação distinta”, afirmou.

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A avaliação da companhia é que boa parte dos produtos associados à K-Beauty ainda chega ao consumidor brasileiro por meio de canais especializados ou importação direta, frequentemente com preços elevados. Nesse cenário, a Mili pretende ocupar uma faixa intermediária de preço.

“Um dos maiores erros das marcas é a precificação no lançamento. Ou lança muito caro para tentar pegar o topo da pirâmide, ou ‘nasce preço e morre preço’, como se diz no jargão. Entendemos qual era a camada em que tínhamos que flutuar: entre R$ 70 e R$ 200. Queremos ser a fast fashion da categoria”, disse o executivo.

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Extensão do negócio de estética

A entrada da Cimed no mercado de cuidados com a pele está diretamente conectada à expansão da Milimetric, divisão de injetáveis voltada à medicina estética.

Desde sua criação, a unidade recebeu R$ 200 milhões em investimentos e projeta faturar R$ 400 milhões em 2026, ante R$ 150 milhões registrados em 2025. Nos próximos cinco anos, a projeção da companhia é alcançar R$ 2 bilhões em receita, o equivalente a cerca de 20% do faturamento total da Cimed.

Segundo Adibe, a Mili também se apoia no relacionamento construído pela Milimetric com médicos e profissionais da estética. “Já estou visitando esses profissionais para colocar a Mili como o cuidado após a aplicação do preenchedor”, afirmou.

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Maria Luiza Dourado
Minhas Finanças | Carreira | Consumo

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.