Cheques devolvidos batem recorde em março

De acordo com Serasa, de cada mil cheques compensados 16,2 foram devolvidos, este é o nível mais alto de inadimplência desde 1991

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SÃO PAULO – O número de cheques sem fundos registrado no mês de março, superou o registrado no mesmo período no ano passado, atingindo novo recorde. Segundo os dados divulgados pelo Serasa, foram 16,2 cheques devolvidos para cada mil cheques emitidos, o maior número desde 1991, ano em que as pesquisas começaram a ser feitas.

Cheques devolvidos cresceram 16,5% em março

Em março deste ano houve um aumento no volume de cheques devolvidos de 16,5% em relação ao mês período em 2001, enquanto o crescimento do volume de cheques devolvidos frente a fevereiro deste ano, ficou em 19,1%.

Na média do trimestre, foi verificado que 14,8 de cada mil cheques compensados foram devolvidos, enquanto no mesmo período do ano passado, esse valor foi de apenas 12. Os resultados da pesquisa mostram que apesar da maior conscientização dos temas ligados a gestão orçamentária, o nível de inadimplência não está caindo.

Inadimplência continua alta

Entre as possíveis explicações para o elevado número de cheques sem fundo pode se destacar o extenso prazo de parcelamento e a falta de critérios dos lojistas na hora de aceitar os cheques. O fato do volume de cheques ter batido o recorde em março é preocupante, pois nesse período, na verdade, os consumidores deveriam estar acertando as suas contas e não adquirindo mais dívidas, sobretudo porque os dois primeiros meses do ano são caracterizados pelos gastos com impostos e escolas.

De acordo com os estudo realizado, é preciso destacar que os fatores conjunturais, como desemprego e elevadas taxas de juros, também contribuem para o elevado nível de inadimplência. Contudo, mesmo levando-se em conta esses fatores, é importante ressaltar que os consumidores continuam não se preocupando com o planejamento de seus gastos, de forma a evitar a devolução dos seus cheques.

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Situação deve piorar com novo SPB

Esta situação é particularmente preocupante, devido à introdução do novo SPB (Sistema de Pagamento Brasileiro), cuja intenção é forçar a liquidação em tempo real das transferências financeiras. Apesar de inicialmente somente as transações bastante altas, isto é, acima de R$ 5 milhões serem liquidadas em tempo real, a intenção dos bancos é de que em julho próximo a liquidação em tempo real seja ampliada para todas as transferências financeiras, independente de seu montante.