Cesta básica atinge maior valor já registrada desde o Plano Real

Alta do dólar encarece produtos e eleva custo de vida das famílias paulistanas; no acumulado do ano, aumento chega a 9,24%

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SÃO PAULO – A forte desvalorização do real frente ao dólar já começou a ser repassada ao consumidor. Isso pode ser constatado através do estudo realizado pelo convênio Dieese-Procon na cidade de São Paulo sobre preço de cesta básica. De acordo com o levantamento, a cesta básica atingiu o seu maior valor desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994.

Cesta básica atingiu maior alta, desde o plano Real

Segundo a pesquisa, o preço médio da cesta passou de R$ 171,16, registrado na segunda-feira (23/09), para R$ 172,81, nesta última quarta-feira (25/09), ou seja, um aumento de 0,96% em apenas dois dias. No acumulado do mês, a cesta básica já apresentou alta de 2,15%. Com isso, no ano, a cesta básica acumula valorização de 9,24%.

De acordo com a diretora de estudos e pesquisas do Procon, Vera Marta Junqueira, o câmbio pode ser apontado como o principal responsável pelo aumento do custo de vida das famílias paulistanas. No entanto, ela acredita que a alta do dólar verificada nos últimos dias é apenas especulação do mercado, e a situação tende a normalizar após as eleições.

Alta do dólar encarece custo de produção

Entre os principais produtos que apresentaram aumento nos seus preços, destaque para o óleo de soja, que tem o seu preço estipulado de acordo com a cotação no mercado internacional. O produto acumula alta de 8,57% no mês. Em seguida estavam o papel higiênico e o trigo, que registram no acumulado do mês, alta de respectivamente, 20,95% e 6,95%.

Outros produtos também sofreram reajuste diante do encarecimento da matéria-prima e do custo da embalagem, como é o caso, por exemplo, da pasta de dente que acumula no mês, aumento médio de 4,30%. O macarrão com ovos (+4,32%) e a margarina (+3,17%) também sofreram reajuste nesse mês de setembro.

No acumulado do mês, a maior alta nos preços ocorreu no segmento de produtos de limpeza domestica, com valorização média de 7,13%, seguida pelas mercadorias alimentícias, com alta de 1,76%. Em contrapartida, os artigos de higiene pessoal apresentaram variação negativa de 0,69%.