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SÃO PAULO – Ao que tudo indica, o forte aumento nas tarifas de energia tem levado a maioria dos brasileiros a atrasar o pagamento das suas contas de energia. Tanto é que a inadimplência é um dos grandes problemas enfrentado pelas empresas, e isso se reflete até mesmo nas companhias de energia elétrica. Para se ter uma idéia, de acordo com a Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica, a Abradee, cerca de 67% das contas de luz do país estão com mais de dez dias de atraso no pagamento.
Os dados preocupam, pois esses atrasos acabam prejudicando o caixa das empresas. Embora o atraso nos pagamentos não seja caracterizado como inadimplência, esses atrasos acabam refletindo no fluxo de caixa das empresas, e conseqüentemente, nos planejamentos de novos investimentos.
Maioria dos inadimplentes é do setor privado
Os dados da Abradee indicam que tanto os consumidores do setor público, como os do privado, atrasam o pagamento das suas contas. O problema mais difícil de se resolver nesses casos se refere ao atraso nos pagamentos do setor público. É muito difícil conseguir receber o valor das contas em atraso de prefeituras, por exemplo.
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O diretor da Elektro, Luiz Sérgio Assad, cita o exemplo de algumas prefeituras que não pagam as contas de luz há mais de cinco anos. O tempo médio de atraso nas contas do setor público é de três meses e meio.
No entanto, a maior parte dos inadimplentes ainda está concentrada no setor privado. Cerca de 57% dos consumidores residenciais e comerciais atrasam as suas contas, enquanto as indústrias ligadas à energia de alta tensão correspondem a 40% dos inadimplentes.
“Gatos” também prejudicam caixa das companhias
Além do problema da elevada inadimplência, as companhias elétricas ainda são obrigadas a conviver com as fraudes e os roubos de energia, conhecidos mais usualmente como “gatos”. As companhias estimam que esses “gatos” representam prejuízos da ordem de 9 milhões de MW/h, o que equivale ao abastecimento de 1,7 milhões de consumidores.
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A perda de poder aquisitivo da população tem levado muitas famílias que moram nas periferias dos grandes centros urbanos a adotar este tipo de prática como forma de cortar gastos no orçamento. Considerando que a própria Abradee estima que o custo das tarifas de energia subiu mais de 40% acima da inflação desde o Plano Cruzado não é de se surpreender que a prática de fraudes como esta tenha aumentado.