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SÃO PAULO – Celulares, saúde e inclusão social. Aparentemente independentes, estas palavras mostram possibilidade de íntima relação, segundo estudos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O órgão estima ser possível, por meio da telefonia móvel, ampliar o acesso das populações de baixa renda à saúde, melhorando tanto a qualidade dos tratamentos quanto a eficiência da prevenção.
O especialista-sênior em tecnologia da informação e comunicação do BID, Rafael Anta, concedeu entrevista durante a III Conferência Latino-americana de Informática Médica, na qual apresentou as perspectivas do uso dos celulares para melhorar o atendimento à saúde das populações carentes.
O primeiro passo, segundo Rafael, é reconhecer que, nos últimos anos, houve “enorme progresso” na extensão do atendimento de saúde para os setores de baixa renda da região [América Latina]. Progresso também tem marcado o setor de telefonia celular, que, segundo informações do BID, é a tecnologia de mais rápido crescimento na América Latina e no Caribe.
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Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Cerca de 360 milhões de pessoas, muitas delas da população de baixa renda da região, têm telefones celulares. Da junção de informações nas duas áreas surge o desafio do BID, que consiste em aproveitar a tecnologia em constante evolução dos aparelhos para aproximar seus donos dos serviços de saúde.
Acompanhamento médico
Rafael afirma que existem vários papéis para os telefones celulares, desde a realização de pesquisas sobre saúde com moradores locais até a melhora do atendimento de emergência. Eles podem ser usados, por exemplo, para lembrar um paciente de sua consulta ou para difundir informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e hábitos de saúde preventivos.
Há também o potencial para acompanhamento, que inclui, por exemplo, o envio de fotos da cicatriz de uma cirurgia ou a monitoração do uso de medicamentos. O telefone celular poderia ainda ser usado para fins de diagnóstico, como a medição do nível de glicemia em diabéticos e o envio das informações ao médico para obter instruções e orientação. “As possibilidades são imensas”, diz Rafael.
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Em termos de cobertura – um dos desafios enfrentados pela América Latina e o Caribe -, os serviços móveis no setor de saúde poderiam ajudar a ampliar o foco em saúde preventiva e a melhorar o monitoramento em áreas isoladas, o que pouparia a população destes locais do deslocamento até os centros de saúde.
Também seria possível fazer o acompanhamento de pessoas com doenças crônicas e mesmo gerar históricos clínicos eletrônicos. “Em resumo, qualquer serviço móvel que conecte médicos e pacientes, especialmente os que vivem longe dos centros de saúde, ajuda a melhorar o acesso aos serviços”, acrescenta Rafael.
Auxílio ao sistema de saúde
O uso da tecnologia dos celulares não beneficiaria apenas a população, mas também o sistema de saúde em geral. Rafael cita, por exemplo, que os aplicativos de monitoração podem ser usados para analisar a evolução de padrões epidemiológicos dentro da população e detectar rapidamente áreas localizadas de doenças infecciosas.
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Além disso, serviços móveis de diagnóstico e acompanhamento poderiam reduzir o número de consultas médicas e leitos hospitalares ocupados, ajudando a melhorar a eficiência dos sistemas de saúde.
Obstáculos
Como dificuldades à implantação desses sistemas, Rafael comenta que a maior delas seria o déficit ainda significativo no uso de tecnologias da informação e comunicação para administrar o atendimento da saúde.
Há ainda o fator cultural. Os médicos e pacientes, segundo o especialista em tecnologia da informação do BID, precisam começar a aceitar os telefones celulares como uma ferramenta que lhes possibilita enviar e receber informações de saúde. “O que está a nosso favor aqui é que a população da região é relativamente jovem e os jovens aceitam com facilidade o uso dos celulares para novos fins”, conclui.