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SÃO PAULO – Pela primeira vez na história da economia brasileira, o número de transações envolvendo cartões de crédito e de débito superou a quantidade de pagamentos realizados com cheques.
De acordo com o Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil, estudo realizado pelo Banco Central (BC) e divulgado nesta segunda-feira (30), os cheques representaram 35,4% do total de quitações efetuadas no ano passado, enquanto as operações com cartões alcançaram 36,3% do total.
Popularização
A trajetória de popularização dos cartões de crédito e débito pode ser melhor visualizada ao se comparar os resultados de 2004 com o cenário de cinco anos antes. Em 1999, a soma destes dois instrumentos de pagamento respondia apenas por 16% do total de transações. Na mesma época, os cheques ocupavam 63,4% do mercado, com 2,5 bilhões de folhas compensadas no acumulado do ano.
Segurança e praticidade são apontadas como algumas das principais causas da expansão dos cartões no hábito de compra do consumidor brasileiro. Além disso, as tarifas cobradas de cheques de baixo valor também têm inibido a utilização deste mecanismo de pagamento.
O BC apóia este processo de popularização dos pagamentos eletrônicos, uma vez que estudos internacionais confirmam que estes canais possuem um custo administrativo de um terço ou de pelo menos a metade das quitações feitas com papel. Para se ter uma idéia, o Governo acredita que, caso todos os pagamentos fossem feitos por instrumentos eletrônicos, seus custos anuais cairiam em até 3% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
Crédito é mais usado que débito
Considerando-se apenas os números dos cartões, é possível constatar que o crédito ainda se mantém à frente do débito, com 21,0% do total de transações em 2004, contra 15,3% da segunda modalidade.
No entanto, a ascensão do débito é mais intensa nos últimos cinco anos, período em que sua participação passou de 107 milhões para 912 milhões de operações, alta de 753,1%. Já a quantidade de pagamentos com cartão de crédito saltou de 553 milhões para 1,253 bilhões, aumentando 126,4%.
Cheques ainda movimentam mais dinheiro
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Apesar dos cartões terem ocupado a maior parte do mercado no ano passado, os valores envolvendo estes instrumentos de pagamento ainda são bem inferiores às cifras quitadas através de cheques.
Em 2004, as duas categorias de cartões movimentaram R$ 135 bilhões, montante superior aos R$ 41 bilhões registrados em 1999, mas equivalente a apenas 2,3% do volume financeiro total do ano passado.
Os cheques, por sua vez, embora tenham perdido nos últimos cinco anos 40% de sua representatividade em valores absolutos, em 2004 ainda possuíam 17,6% do mercado, movimentando expressivo total de R$ 1,003 trilhão.
Outros instrumentos
De acordo com o departamento do Banco Central, as outras modalidades de pagamentos, além de cheques e cartões, são transferências de crédito interbancário e débito direto.
O primeiro instrumento representava 17,2% do total de operações no ano passado, nível parecido ao observado em 1999 (15,2%). Levando em conta os valores pagos, contudo, as transferências ficaram com 75,8% das cifras movimentadas em 2004, ou R$ 4,43 trilhões, já que este instrumento é geralmente utilizado para transações de maiores somas.
A segunda forma de quitação, por sua vez, respondia, em 2004, por 11,0% da quantidade total de pagamentos, parcela superior aos 5,3% verificados cinco anos antes. Vale destacar que o débito direto compreende, por exemplo, tarifas de serviços públicos descontadas automaticamente da conta corrente do usuário.