Carta contemplada: como funciona este mercado e quais são os riscos

Especialistas falam sobre riscos e cuidados necessários na hora de avaliar uma carta de consórcio já contemplada

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Você encontrou o carro que queria e não pretende esperar meses até ser contemplado em um consórcio novo. Na busca por alternativas, aparece alguém vendendo uma carta contemplada porque desistiu do consórcio.

A proposta parece simples: comprar a carta de outra pessoa e encurtar o caminho até o crédito. Mas essa negociação envolve regras próprias, custos e etapas que nem sempre ficam claras no anúncio.

É nesse mercado secundário que cartas já contempladas mudam de mãos. Para entender como essa compra funciona e o que deve ser avaliado antes de fechar negócio, o InfoMoney ouviu especialistas do setor.

Como saber se uma carta contemplada vale a pena?

O primeiro número que costuma chamar a atenção em uma oferta de carta contemplada é o ágio, valor cobrado pelo atual titular para transferir a cota. Mas olhar apenas para ele pode dar uma impressão errada sobre o negócio.

Leonardo Baldez, fundador da ISF Crédito, recomenda ampliar a comparação antes de decidir. “Uma carta contemplada pode parecer atrativa porque permite o acesso mais rápido ao crédito, mas isso não significa automaticamente que ela seja mais barata. É preciso comparar o valor desembolsado pelo comprador, incluindo o ágio, com o custo de um consórcio novo e também com outras alternativas disponíveis no mercado”, alerta.

Outro ponto que muda essa conta ao longo do tempo é o índice que atualiza a carta e as parcelas. Segundo Baldez, esses reajustes podem alterar significativamente o custo da operação.

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O que conferir antes de comprar uma carta contemplada?

Mesmo que a oferta pareça boa e que a conversa com o vendedor avance, é importante segurar a pressa.

Leonardo Baldez alerta para golpes com cartas inexistentes ou ainda não contempladas, além de anúncios que deixam informações importantes de fora. “O principal cuidado é não realizar nenhum pagamento antes de confirmar todas as informações diretamente com a administradora do consórcio”, diz.

Antes de fechar negócio:

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A forma como a oferta é apresentada também merece atenção. Baldez recomenda desconfiar de negociações que pressionam por uma decisão rápida ou fazem promessas de contemplação garantida. 

Carta contemplada significa crédito liberado?

Não necessariamente. Comprar uma carta contemplada reduz a espera pelo sorteio, mas ainda há etapas até o crédito poder ser usado.

A primeira é a transferência da cota. Juciel Oliveira explica que o acordo entre comprador e vendedor não basta, pois a administradora precisa aprovar o novo titular, normalmente após análise cadastral e financeira.

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Depois da aprovação, vem a liberação do crédito para a compra do bem. Nessa fase, podem ser exigidos documentos e garantias, além da análise do bem escolhido, conforme as regras do contrato.

E se precisar vender a carta depois?

A carta contemplada pode ser revendida, desde que a nova transferência siga as regras da administradora. O problema é que essa saída nem sempre acontece rápido nem pelo valor que o titular espera.

Por isso, Leonardo Baldez alerta para o fato de que a carta não deve ser tratada como um ativo de liquidez imediata. Outro ponto a considerar é o preço de revenda, que depende da procura pela carta, das condições do contrato e do momento da negociação. Quem pagou um ágio elevado e precisa vender com urgência pode ter de aceitar um valor menor.

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Além disso, vale pensar também na possibilidade de os planos mudarem no meio do caminho. Se houver chance de precisar sair da operação em pouco tempo, esse risco deve entrar na conta desde o início.

“A decisão de adquirir uma carta contemplada deve partir de um planejamento claro sobre o objetivo do crédito, o prazo de utilização e a capacidade financeira para manter as parcelas até o final”, avalia Oliveira.