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SÃO PAULO – A falta de airbags e carrocerias frágeis fazem com que os carros vendidos no Brasil tenham a pior classificação em teste de segurança dos automóveis.
Os modelos Ford Ka Fly Viral, Chevrolet Corsa Classic, Chevrolet Celta e Fiat Uno Evo foram classificados com apenas uma estrela pelo “Programa de Avaliação de Carros Novos na América Latina”, realizado pela Latin NCAP. A classificação significa que algumas partes do veículo representam risco para o motorista. As notas podem variar de uma a cinco estrelas.
Outros carros também testados foram Nissan March (2 estrelas), Nissan Tiida Hatch com airbag para o motorista (3 estrelas), Ford Focus Hatback com airbag duplo (4 estrelas), Chevrolet Cruze LT com airbag duplo (4 estrelas) e Nissan Tiida Hatch com airbag duplo (4 estrelas).
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De acordo com o estudo, o teste de colisão dos oito carros de passeios presentes na América Latina confirmou um alto risco de lesões fatais para os motoristas e ocupantes.
Classificações
Nos testes, são avaliados os impactos em caso de acidente nos passageiros adultos e infantis. Além disso, todos os itens de segurança, como airbags, protetores de cintos e cadeirinhas para crianças de 18 meses e três anos recomendadas pelas montadoras são consideradas nos testes. Veja as classificações dos carros vendidos no Brasil na tabela abaixo:
| Veículo | Classificação | Passageiro adulto | Passageiro infantil |
|---|---|---|---|
| Ford Ka Fly Viral – sem airbag | 1 estrela | No teste de impacto frontal, a cabeça e o peito dos passageiros bateram no volante e o aro foi arrancado da coluna de direção. Também foram constatadas estruturas perigosas na parte baixa do painel que podem ferir os joelhos e oferecem pouca proteção para a parte inferior das pernas dos ocupantes. A carroceria não absorveu o impacto. | A cadeirinha utilizada no teste tinha instruções de instalação coladas a elas, oferecendo informação suficiente. Os bonecos utilizados no teste foram protegidos, porém, o manual do carro não informava sobre o risco de instalação da cadeirinha no banco da frente voltado para trás. O teste constatou que o modelo testado não possuía airbag, mas, em modelos com esse dispositivo, ele pode trazer riscos à instalação do equipamento de segurança para bebês no banco do acompanhante voltado para a parte traseira do veículo. |
| Chevrolet Corsa Classic – sem airbag | 1 estrela | O Classic apresentou alto risco de morte decorrente do impacto da cabeça do motorista no volante. A proteção do peito foi baixa, e existem estruturas perigosas na parte baixa do painel que poderiam comprometer os joelhos dos passageiros. A carroceria não foi capaz de suportar carga adicional e o rompimento do assoalho representa uma ameaça para os membros inferiores do motorista. | A cadeira infantil para crianças de três anos não conseguiu evitar o excessivo deslocamento para frente na colisão, mas não houve contato da cabeça com o banco da frente. As instruções de instalação para ambas as cadeirinhas foram insuficientes, porque as instruções não estavam afixadas no equipamento de retenção. No caso da cadeira para crianças de três anos, ela era incompatível com o cinto de segurança do veículo. |
| Fiat Novo Uno Evo – sem airbag | 1 estrela | O Novo Uno também apresentou risco de morte ao motorista, pela possibilidade de impacto da cabeça no volante e baixa proteção peito. A carroceria não suportou sobrecarga e estruturas rígidas do painel podem causar danos aos joelhos dos passageiros; no caso do motorista, os riscos são para os joelhos e fêmur. Há também risco de rompimento do assoalho, representando perigo aos pés. | Os assentos infantis foram aprovados nos testes, porém, a cadeirinha para crianças de três anos é incompatível com o cinto de segurança do veículo. As instruções de instalação para ambas as cadeirinhas foram insuficientes, pois não estão coladas ao dispositivo de retenção. |
| Chevrolet Celta – sem airbag | 1 estrela | No Celta, o risco de morte ao motorista é grande, da mesma forma que no Corsa Classic e no Novo Uno. A cabeça do motorista pode bater no volante e o peito também fica desprotegido. Também existem riscos de lesões nos joelhos e fêmur e risco de rompimento do assoalho. | O modelo testado ofereceu proteção adequada às crianças, porém, as cadeirinhas foram incompatíveis com o cinto de segurança do veículo. |
| Nissan March com airbag duplo | 2 estrelas | As leituras feitas nos bonecos mostram boa proteção oferecida à cabeça. Foi observada uma fraca proteção às pernas do motorista, devido a um deslocamento para trás dos pedais. Existem estruturas perigosas na parte baixa do painel que colocam em risco os joelhos do motorista e do acompanhante. A carroceria não resiste a cargas adicionais. | O assento infantil para três anos não conseguiu evitar o excessivo deslocamento para frente no impacto; apesar do importante deslocamento, a cabeça do boneco-criança não bateu contra o encosto do banco do motorista. As instruções de instalação das cadeirinhas foram insuficientes, por não estarem afixadas nos equipamentos. O boneco de 18 meses recebeu proteção de adequada a boa. |
| Nissan Tiida Hatch com airbag motorista | 3 estrelas | No impacto frontal, a cabeça do motorista foi bem protegida pelo airbag. Já a proteção da cabeça do passageiro adulto foi baixa, devido às fortes desacelerações, sendo a proteção do pescoço e do peito de risco médio. Estruturas perigosas na parte baixa do painel, do lado do motorista e do acompanhante poderiam impactar os joelhos dos ocupantes. Já a carroceria demonstrou poder suportar maiores cargas. |
A cadeirinha infantil recomendada pela Nissan falhou no impacto frontal, produzindo um excessivo deslocamento para frente do boneco de três anos. As instruções de instalação de ambas as cadeiras infantis eram insuficientes, pois não estavam afixadas no equipamento de retenção. A cadeira infantil quebrou durante o impacto, revelando frágil proteção para o peito das crianças.
Em resposta ao teste, a Nissan, junto com o fabricante do SRI, trabalhou para resolver o fracasso apresentado no teste. O SRI a ser melhorado foi o do lote 0007899 ou superior do modelo do Britax First Class. |
| Nissan Tiida Hatch com airbag duplo | 4 estrelas | No impacto frontal, tanto a cabeça do motorista quanto a do acompanhante, além do peito de ambos, ficaram bem protegidas pelo cinto e pelo airbag. A proteção da parte baixa das pernas foi boa, porém, estruturas perigosas na parte baixa do painel podem impactar contra os joelhos dos ocupantes. | A cadeirinha infantil para a criança de três anos não conseguiu evitar um excessivo deslocamento para a frente no momento do impacto, porém, não houve contato com o encosto do motorista nem com nenhuma parte inferior. A aceleração do peito para ambos os bonecos-crianças foi bem alta e o pescoço do boneco de um ano e meio sofreu alta tensão no teste. As instruções de instalação de ambas as cadeirinhas foram insuficientes e não ficavam unidas, de maneira permanente, a elas. O veículo não advertia sobre os riscos de instalar uma cadeirinha infantil voltada para trás no banco da frente com airbag. |
| Ford Focus Hatchback com airbag duplo | 4 estrelas | A carroceria sofreu deformação mínima e tanto airbag quanto cinto mantiveram os ocupantes seguros. No entanto, há estruturas perigosas que podem causar danos aos joelhos do motorista e do acompanhante. Todas as portas se abriram facilmente, depois do impacto. | Neste teste, a cadeirinha com cinto de três pontos recomendada pela Ford protegeu bem a cabeça do boneco, apesar de apresentar uma aceleração do peito bem alta. O boneco de um ano e meio foi colocado em uma cadeira olhando para trás, com cinto, recebendo boa proteção. As cargas no pescoço estiveram apenas por cima dos limites superiores de desempenho. Ambas as cadeirinhas contavam com etiquetas unidas de maneira permanente aos dispositivos de retenção. |
| Chevrolet Cruze LT com airbag duplo | 4 estrelas | Tanto a cabeça do motorista quanto do passageiro foram bem protegidas pelo airbag e a proteção do peito também foi adequada. Não houve contato visível dos joelhos e da tíbia do motorista com o painel. Mas há estruturas perigosas na parte baixa do painel que poderiam impactar contra os joelhos de um passageiro de maiores dimensões. |
O assento infantil para um ano e meio e três anos ofereceu proteção suficiente. Por outro lado, as instruções de instalação em ambas as cadeirinhas eram insuficientes, por não estarem afixadas nos equipamentos de retenção. O manual do carro advertia sobre o risco de instalação da cadeirinha no banco da frente voltado para trás.
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| Fonte: Latin NCAP | |||