Carros: novas tecnologias avisam a presença de radares de multas

Novos equipamentos surpreendem o Contran, que já planeja criar resoluções para limitar o emprego dessas peças

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SÃO PAULO – As novas tecnologias costumam ser muito bem vindas, mas em alguns casos, os avanços são tantos e tão surpreendentes que a limitação dessas inovações começa a ser discutida.

Veículos

É o que ocorreu recentemente com os equipamentos para veículos. As novidades são tantas que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) criou resoluções para limitar o uso dessas invenções, já que os próprios técnicos do governo desconhecem as novas peças que já equipam alguns veículos.

Alguns desses aparelhos, por exemplo, interrompem o fornecimento de combustível quando o veículo ultrapassa a velocidade máxima permitida. Outro equipamento é conhecido por GPS Lince, que avisa o motorista, por meio de sinais luminosos e sonoros, a proximidade de buracos e curvas arriscadas.

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O GPS Lince não representaria nenhum risco se não estivesse sendo usado para motivos menos nobres. É que, em Brasília, alguns condutores adaptaram a peça para alertar a proximidade dos “pardais” (pontos de fiscalização), que só no ano passado foram responsáveis por 139,7 mil multas.

GPS reduz gastos com multas

“O GPS reduziu meu gasto com multas, que passava de R$ 2 mil por mês”, conta o servidor público Markito de Souza, de 58 anos. “Não sou imprudente. O problema é que tem pardal demais e não dá para ficar olhando para cima o tempo todo”, conta. Além do GPS, Souza instalou um chip que reduz o consumo de combustível. “Os carros que faziam 10km por litro, agora fazem 13km”.

“Ele (o GPS Lince) é um anti-radar proibido pela legislação porque avisa o motorista sobre os pontos de fiscalização”, explica o chefe de fiscalização do Detran, Silvain Fonseca.

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Fonseca explica que a resolução 25 do Contran determina a necessidade de vistoria nos veículos antes que seja providenciada alguma mudança que interfira na segurança dos ocupantes do veículo. Se um veículo alterado for identificado, o proprietário do carro terá de arcar com multas que podem chegar a R$ 127,69, além de ganhar cinco novos pontos na habilitação.

De acordo com o diretor do Sincodiv-DF (Sindicato dos Concessionários de Veículos Autorizados), Edson Maia, “se [a alteração] não for feita pela concessionária, o motorista está sujeito a perder a garantia”.

Como não há uma legislação adequada para fiscalizar esses novos equipamentos, o Contran cogita a possibilidade de criar resoluções próprias para regular a utilização desses equipamentos.

Fabricantes negam irregularidade

O sócio-proprietário da Powerchip, empresa de tecnologia automotiva incubadora do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (UnB), garante que o GPS Lince “só avisa quando os carros se aproximam de pontos cadastrados, inclusive de radares”.

Essas informações são da Abramet.