Carros brasileiros são “mortais”, diz Agência

Quatro dos cinco carros mais vendidos no país, não passariam em testes de colisão independentes
Fila de carros
Fila de carros

Publicidade

SÃO PAULO – Os carros produzidos no Brasil foram classificados como mortais em um artigo da Agência Associated Press.

De acordo com a matéria, republicada em vários sites entre eles o The Hour, o Brasil já possui o quarto maior mercado automobilístico do mundo, mas o que se vê por aqui seria uma tragédia nacional, com milhares de brasileiros morrendo em acidentes de carros, que, em muitos casos, não poderiam ser classificados como fatais.

A explicação para tal ocorrência, diz a publicação, estaria no fato de que os carros produzidos e vendidos no país teriam qualidade inferior aos similares feitos na Europa ou nos Estados Unidos, com soldas mais fracas, poucos itens de segurança e materiais menos resistentes, sendo que, quatro dos cinco carros mais vendidos no país, não passariam em testes de colisão independentes.

Acidentes
Em comparação com os Estados Unidos, o número de acidentes de trânsito fatais é quatro vezes maior no Brasil. Em uma década, os norte-americanos viram o número deste tipo de acidente reduzir 40%, enquanto os brasileiros provaram um aumento de 72%.

As montadoras alegam que os carros seguem as leis de segurança vigentes no país e culpam a má conservação das estradas pelo alto número de ocorrências com vítimas fatais.

Para a coordenadora institucional da Proteste – Associação de Consumidores, Maria Inês Dolci, entrevistada pela publicação, um agravante do problema é que o consumidor brasileiro ainda é menos exigente do que o europeu ou o norte-americano, visto que o conhecimento sobre os problemas de segurança é menor por aqui.

Continua depois da publicidade

Vendas
Outro caso que agrava a situação dos acidentes de trânsito no Brasil, analisa a Agência, é o crescimento da classe média, que faz com que o mercado brasileiro seja mais atraente para as montadoras, com um grande número de consumidores potenciais. Para se ter uma ideia, um em cada sete brasileiros é dono de um carro, enquanto que nos EUA a frota atinge quase toda a população. Além disso, a margem de lucro para as montadoras no Brasil é cerca de sete pontos percentuais maior, visto que aqui, ela atinge 10% e nos EUA apenas 3%.

O artigo prevê que a frota de automóveis em todo o mundo deve dobrar até 2020, sendo que os países emergentes provavelmente puxarão este crescimento.