Carro: medidas do BC ainda não surtiram efeito no mercado, diz economista

Para Fontes, da MSantos, não houve mudanças nos financiamentos de veículos e BC deve atuar de forma mais rígida nos próximos dias

SÃO PAULO – As medidas adotadas pelo Banco Central no ano passado para conter o crédito já foram absorvidas pelo mercado automobilístico e as condições para financiamentos de veículos estão em patamares semelhantes aos anteriores às mudanças.

A avaliação é do economista da agência de Varejo Automotivo MSantos Ayrton Fontes. “Logo após o anúncio houve um realinhamento nas taxas de juros, porém, devido à concorrência acirrada entre os bancos que atuam fortemente nesse segmento, parece que as coisas voltaram à normalidade anterior às medidas”, disse, por meio de nota.

De acordo com o economista, a maioria das concessionárias está oferecendo financiamentos sem entrada em 60 meses com taxas que variam de 1,3% ao mês a 1,6% ao mês. “Já existe até entrada parcelada em três vezes no cartão de crédito – prática incomum nesse segmento”, constatou Fontes.

Medidas
No mês passado, o Banco Central aumentou o fator de risco para a concessão de crédito à pessoa física com prazo igual ou superior a 24 meses. Além disso, o BC elevou o compulsório dos bancos – o que faz com que eles sejam obrigados a ter maiores recursos de reserva para poder emprestar.

Com isso, a oferta de crédito diminuiu e os juros aumentaram. As medidas afetam, principalmente, linhas de crédito de financiamento de veículos. O aumento do compulsório e, por consequência, o encarecimento do crédito se dá nas seguintes situações de concessão de crédito para compra de veículos:

  • Prazo entre 24 e 36 meses: quando o valor da entrada for inferior a 20% do valor do bem.
  • Prazo entre 36 e 48 meses: quando o valor da entrada for inferior a 30% do valor do bem.
  • Prazo entre 48 e 60 meses: quando o valor da entrada for inferior a 40% do valor do bem.

Embora a ideia seja de reduzir o consumo excessivo de crédito, a medida, na avaliação de Fontes, não atingiu o seu objetivo. “Esperamos para os próximos dias novas medidas, desta vez, mais rígidas, para conter um pouco a demanda”, afirmou.

Para o economista, é possível que o BC anuncie a obrigatoriedade da entrada para a concessão de crédito para a compra de veículos, principalmente os de longo prazo.