Cadastro positivo não é forma mais barata e rápida de reduzir juros, diz Austin

Segundo a consultoria, medida menos onerosa é a diminuição do depósito compulsório que os bancos fazem ao BC

Publicidade

SÃO PAULO – A criação de uma lista de bons pagadores, o cadastro positivo, não é a forma mais barata e rápida de reduzir os spreads (diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar os recursos ao cliente e a taxa que ele paga ao adquirir o dinheiro) e, conseqüentemente, os juros cobrados pelas instituições financeiras. É nisso o que acredita a consultoria Austin Rating, a mesma que apresentou levantamento recente mostrando que a receita com tarifas bancárias cresceu quase oito vezes desde o Plano Real.

No ponto de vista da entidade, o caminho mais curto, menos oneroso e mais efetivo é o governo reduzir a taxa do depósito compulsório (valor que os bancos recolhem ao Banco Central ao BC, com o objetivo de diminuir o volume de recursos de suas reservas disponíveis para crédito). Dessa maneira, quanto maior for a taxa, menores serão os recursos disponíveis. Atualmente, essa contribuição está em 53% dos depósitos à vista.

Inadimplência

A Austin concordou que identificar os consumidores que pagam suas contas em dia também é uma forma que vai auxiliar na redução dos juros, uma vez que 30% do spread é composto por risco de inadimplência.

Contudo, em seu entender, essa probabilidade de calote não é o único norteador das altas taxas. Entre 2000 e 2006, a liberação de crédito cresceu em 128%. Por outro lado, no mesmo intervalo de tempo, a taxa de inadimplência média passou de 5,4% para 4,8%.

Diante desses e de outros detalhes, a consultoria acredita que é possível reduzir a taxa do compulsório sobre depósito à vista – mesmo que de forma gradativa – com certa tranqüilidade. Por outro lado, considera importante manter o monitoramento da economia para avaliar o impacto dessa modificação nos demais setores.

Praticamente estáveis

De qualquer maneira, é importante lembrar que dados compilados pela Infomoney mostraram que, desde 2005, a taxa básica de juro da economia, a Selic, já foi reduzida em 7,25 pontos percentuais. Quando em setembro daquele ano foi iniciada uma tendência de corte, o total anualizado era de 19,75% – proporção que está, atualmente, em 12,5%.

Continua depois da publicidade

Estudo da Fundação Procon de São Paulo, por sua vez, mostra que a média de juro do empréstimo pessoal cobrado pelas instituições bancárias fechou 2005 em 5,39% ao mês, enquanto o de cheque especial foi de 8,25% mensais.

Já conforme seu último levantamento, que analisou os preços empregados em maio de 2007, as médias foram de respectivamente, 5,37% e 8,29% – praticamente uma estabilidade.