Brasileiros não obedecem as leis de trânsito para bicicletas, diz Proteste

27% dos ciclistas brasileiros nunca utilizam capacete e 20% nunca usam faróis ou refletores
cycling lane sign
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SÃO PAULO – Na última edição da revista Proteste apresentamos as conclusões de nossos especialistas a respeito das condições das ciclovias em 12 capitais brasileiras. No mesmo artigo, incluímos os resultados de uma pesquisa feita com nossos associados, mostrando o grau de satisfação com algumas dessas ciclovias.

Agora, vamos revelar a você um outro lado dessa pesquisa: como se comportam os ciclistas. E prepare-se para se surpreender. Os números a seguir demonstram que muitos usuários de bicicletas acham que podem fazer o que quiserem no trânsito, pouco se importando com a segurança.

No Brasil, 82% das pessoas têm pelo menos uma bicicleta em casa. E, entre nossos entrevistados, 27% pedalam de duas a quatro vezes por semana e 14% de cinco a sete. São dias demais e preocupação com a proteção de menos. Isso se percebe pelos maus hábitos relatados pelos próprios entrevistados: 27% dos ciclistas brasileiros nunca utilizam capacete, 20% nunca usam faróis ou refletores (como colete ou adesivos) ao circularem durante a noite e 41% não têm buzina em suas bicicletas.

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Para piorar, 21% afirmaram avançar sinais de trânsito e 10% não respeitam outras regras de trânsito – como, por exemplo, trafegar na mesma mão dos carros.

Ciclistas deveriam ser multados
Por outro lado, parece que há muitos ciclistas em vias de mudar de atitude. Isso porque 96% de nossos entrevistados acham que sinais luminosos dianteiro e traseiro deveriam ser obrigatórios no período noturno (só que, de acordo com as normas de trânsito, eles já são – mas muita gente não os usa). E, na opinião de 82% deles, também deveria ser obrigatória a utilização de gestos e sinais durante a condução do ciclista em ruas e estradas.

Embora, há muito tempo, já existam leis de trânsito para quem se locomove de bicicleta, poucos as seguem. Por isso, 77% dos brasileiros afirmam que os ciclistas deveriam ser multados em caso de direção perigosa em vias públicas. O resultado de tanta imprudência pode ser desastroso.

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Segundo nossos entrevistados, 56% já sofreram acidentes na cidade de Salvador; 55%, em Curitiba; 52%, em Brasília; outros 52%, em São Paulo; 51%, no Rio de Janeiro; e 37%, em Porto Alegre. Felizmente, desse total, a maioria (75%) sofreu apenas machucados leves ou de média gravidade. Só 13% de fato se feriram gravemente.

Ainda assim, essa realidade precisa mudar. E, para começar, quem anda de bicicleta deve adotar acessórios de segurança. Isso sem contar a necessidade de respeitar as regras de trânsito e não sair por aí pedalando como um louco. As atitudes conscientes sobre uma bicicleta farão toda a diferença para baixar as tristes estatísticas.

Como fizemos o estudo
Em novembro e dezembro de 2013, enviamos questionários online para associados e não associados de sete cidades brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, salvador e são Paulo. Perguntamos sobre o grau de satisfação com as ciclovias, seus hábitos enquanto pedalam e os cuidados que têm com suas bicicletas. Recebemos 1.857 respostas válidas.

Luzes piscantes evitam acidentes durante a noite
Não basta montar na bicicleta e sair pedalando. É preciso equipá-la com itens que vão manter o ciclista seguro sobre as duas rodas. E, entre os que apontamos a seguir, a maioria é de uso obrigatório – apesar de muita gente ignorá-los, como mostrou nossa pesquisa.

– 27% dos brasileiros confessaram que nunca usam capacete: Por incrível que pareça, capacetes para ciclistas não são obrigatórios de acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Mas ele é recomendável como item de segurança, so- bretudo para os iniciantes, protegendo a cabeça em caso de queda e diminuindo as chances de traumatismo craniano. 

20% dos entrevistados revelaram que nunca usam refletores ou sinais luminosos ao pedalar à noite: a sinalização natura na lateral e nos pedais também é uma exigência do Contram. Portanto, fique atento se a sua bicicleta tem esses refleti- vos. Na verdade, também pelas leis do Contran, os fabricantes já devem colocar nas lojas produtos com esses acessórios. Mas, se o seu modelo for antigo (ou se estiver mal conservado), pode não ter. Nesse caso, providencie.

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41% das pessoas disseram que não têm campainha ou buzina na bicicleta: Use sempre a campainha para alertar os pedestres ou os outros carros sobre a sua presença. Ela é um dos itens obrigatórios definidos pelo Contran, embora a maioria das bicicletas à venda não traga esse acessório. Então, trate de comprar a sua própria campainha. 

20% dos brasileiros não usam faróis quando pedalam à noite: Para terem tempo de reação e desviar com segurança, os motoristas precisam ver os ciclistas. E, à noite, eles se tornam praticamente invisíveis. Por isso, é essencial usar uma luz branca (ou refletor), de preferência piscando, para chamar a atenção dos carros. Já na parte traseira, o ideal é um refletor ou luz vermelha, que também deve ficar piscando. Essa sinalização noturna dianteira e traseira das bicicletas é obrigatória pela leis de trânsito.

Bom estado é essencial
Para evitar acidentes, também é preciso manter a bicicleta em bom estado. Para 68% de nossos entrevistados, assim como carros, motos e caminhões, as bicicletas deveriam ter o mínimo de manutenção e condição para transitar pelas ruas e estradas, podendo ser recolhidas em caso de má conservação. Entre os principais defeitos que os brasileiros relataram já ter enfrentado, estão problemas com freios (24% deles), pedais, correntes e rodas dentadas (23%), rodas e pneus (23%) e sistema de engrenagem (22%).