Brasil troca carros pequenos por luxuosos com o México

Enquanto Brasil exporta para o México carros pequenos, o país norte-americano manda modelos de grande porte, que antes vendia nos Estados Unidos

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SÃO PAULO – As exportações de carros entre Brasil e México cresceram significativamente nos últimos anos. Um acordo comercial feito em 2003, e o aumento do parque industrial mexicano favorecem esse cenário. Mas enquanto o Brasil manda para lá carros pequenos e médios, com preço menor, o México envia para cá veículos de grande porte e mais caros.

Porém, isso não significa prejuízo para o Brasil. No ano passado, o País vendeu US$ 1,09 bilhão de carros e comerciais leves ao México e comprou US$ 548 milhões. De acordo com a Agência AutoInforme, essa é uma situação confortável para o Brasil que, em vez de investir na produção de carros caros, dedica-se à fabricação dos modelos pequenos, que representam quase a totalidade do mercado interno.

Solução para os mexicanos

Já para o México, as exportações de carros de luxo para o Brasil foi uma saída para as vendas baixas nos Estados Unidos. Com um parque industrial voltado para a produção de veículos de alto valor agregado, o principal destino das exportações mexicanas era exatamente o país vizinho, grande consumidor desse tipo de produto.

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Porém, com a crise e a queda nas vendas nos Estados Unidos, o Brasil se tornou um mercado preferencial para atenuar a redução das vendas externas.

Comércio livre

Em 2003, ambos os países realizaram um acordo comercial com duração de quatro anos, que previa a troca limitada de automóveis sem tarifa de importação. A proposta também previa o livre comércio a partir do quinto ano (2007), para carros com peso bruto de até 8.845 kg.

O livre comércio combinou com um período de desvalorização do dólar, o que prejudicou as exportações, mas incrementou as importações. Os segmentos dos sedãs e dos utilitários esportivos, por exemplo, são os que mais crescem no Brasil, e a saída das montadoras é importar esses carros do México.

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A Honda manda para o México o Fit, feito em Sumaré, e compra o utilitário esportivo CRV. Já a Ford envia o Fiesta, o EcoSport e a picape Courier e compra o sedã Fusion. A Volkswagen, por sua vez, troca toda a sua linha de pequenos (Gol, Fox, CrossFox e Saveiro), pelo Bora e pelo Jetta, além do New Beetle.

A GM, que já exporta para o México a picape Montana, irá trazer o luxuoso Captiva. A única exceção é a Nissan, que exporta um carro de grande porte, a picape Frontier, e importa o Tiida e o Sentra.