Bolha dos automóveis começa a preocupar setor de usados de luxo

Preço de 25 modelos automotivos clássicos subiu 34,5% no último ano

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SÃO PAULO – Uma Ferrari 250 GTO Berlinett, de 1962, foi vendida pela casa de leilões Bonhams Quail Lodge no mês passado por US$ 38,1 milhões. O valor é 28% mais alto que o recorde anterior: US$ 29,7 milhões por um Mercedes-Benz de Fórmula 1.

Além disso, acredita-se que outra Ferrari 250 GTO foi vendida por US$ 52 milhões em uma transação privada. Os modelos da montadora italiana não são os únicos que batem recordes de preços, caso do Rolls-Royce que pertenceu a Elvis Presley e vários Maseratis. Em uma semana de leilão foram arrecadados US$ 400 milhões (um aumento de 28% em relação ao ano de 2013).

“Sem exceção, estamos vendo todos os segmentos do mercado, e quase todos os modelos, atingindo novas máximas históricas,” afirmou McKeel Hagerty, executivo-chefe da Hagerty Insurance, especializada em seguro de carros colecionáveis, em entrevista para o jornal The New York Times.

Os dados da empresa mostram que o preço de 25 modelos automotivos clássicos subiu 34,5% no último ano, superando a média de ganhos de títulos e ações.

“As pessoas se perguntam se essa é uma nova e excelente classe de ativos”, diz Evan Beard, diretor do grupo financeiro e de arte Deloitte’s. Mas também se questionam se não estariam no meio de uma bolha. Nesse caso, não seria a primeira vez: nos anos 80, o mercado também disparou, especialmente no caso das marcas Ferrari e Jaguar, e depois desinflou.

Scott Grundfor, que tem uma empresa de consultoria e restauração de carros clássicos, afirma que está ficando cada vez mais inquieto. “Pelo menos 50% do aumento fenomenal no valor dos carros pode ser atribuído à impressão de dinheiro e à manipulação das taxas de juros pelos bancos centrais”, explica.

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Nesse aspecto, os carros são vistos como os mais recentes de uma série de ativos cujos valores dispararam desde que o Fed (Federal Reserve) deu início à sua agressiva política de oferta de dinheiro a juros baixos para combater os efeitos da crise financeira de 2008. No entanto, isso significa que os preços podem cair quando a instituição começar a restringir o crédito.