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Impactado pelo alto endividamento e pela restrição no crédito, o consumidor brasileiro fez uma escolha na Black Friday 2025: mudou suas prioridades, ficou mais seletivo, mas não deixou de comprar.
Dados exclusivos da Confi Neotrust para o InfoMoney revelam que, entre os dias 27 e 30 de novembro, as categorias de eletrodomésticos e eletrônicos – que englobam TVs, wearables, smartphones, games e informática – movimentaram R$ 4,05 bilhões. Embora esse valor represente uma retração de 3,4% em relação ao ano anterior, corresponde a expressivos 40% do faturamento total de R$ 10,1 bilhões do período.
Para Léo Homrich Bicalho, Head de Negócios da Confi Neotrust, o comportamento do consumidor indica um movimento claro: a renúncia à renovação de itens essenciais para direcionar investimentos ao entretenimento doméstico.
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Os dados mostram que os smartphones registraram a maior queda no faturamento do segmento, com recuo de 9,7%, totalizando R$ 791 milhões. Os eletrodomésticos também apresentaram retração, com faturamento de R$ 1,34 bilhão, queda de 9,5%.
Por outro lado, o setor de entretenimento doméstico foi o grande destaque: as vendas de games dispararam 49,7% em comparação com a Black Friday de 2024, alcançando R$ 308 milhões. As vendas de TVs também cresceram 9,4%, somando R$ 868 milhões.
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Contrariando a expectativa de queda no ticket médio, Bicalho destaca que o consumidor, embora mais seletivo devido ao endividamento, optou por produtos premium. “O consumidor comprou menos, mas comprou melhor, escolhendo itens de maior valor”, explica.
O ticket médio reforça essa tendência: games tiveram preço médio de R$ 2.770, TVs, de R$ 2.464, enquanto smartphones ficaram em R$ 2.000, eletrodomésticos em R$ 1.855 e itens de informática em R$ 1.019.
No total, foram vendidos 2,43 bilhões de itens online nas categorias de eletrônicos e eletrodomésticos, com preço médio de R$ 1.659,57.
Varejo foca em produtos premium sem recorrer a descontos agressivos
Os dados da Neotrust indicam que o varejo não precisou recorrer a descontos profundos para converter vendas. Em diversas categorias, marcas premium lideraram o desempenho.
“O varejo conseguiu vender produtos de alto valor agregado, em vez de simplesmente desovar produtos de entrada”, afirma Bicalho.
No segmento de eletrodomésticos, a Electrolux, marca premium, liderou com 33,8% de participação de mercado e ticket médio de R$ 1.800. A Brastemp, também premium, conquistou quase 25% do mercado, com ticket médio de R$ 2.355. Marcas mais acessíveis, como a Midea, ficaram com apenas 5% do share, apesar de um ticket médio de R$ 1.947.
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No mercado de TVs, a Samsung liderou com 37% de participação e ticket médio de R$ 2.207, seguida pela LG, com 17,5% de share e ticket médio de R$ 2.355. Marcas mais econômicas, como Philco e Hisense, somaram 11% do mercado, com tickets médios de R$ 1.284 e R$ 1.797, respectivamente.
“Se o consumidor estivesse focado apenas no preço baixo, as marcas mais baratas teriam dominado, mas isso não aconteceu”, conclui Bicalho.